Vídeos obtidos pela reportagem da Band mostram uma reunião entre o então chefe dos investigadores da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas, no interior de São Paulo, Maurício Aparecido de Oliveira, com o empresário José Ricardo Ramos.
Segundo a investigação, o encontro reuniu o policial, que era do setor de combate ao tráfico de drogas na região, e um homem apontado como um dos articuladores do plano para executar o promotor de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, Amauri Silveira Filho.
A investigação do Ministério Público paulista aponta que a reunião aconteceu uma semana antes da deflagração da operação Pronta Resposta, que ocorreu em agosto de 2025.
O investigador Maurício Aparecido de Oliveira é um dos três presos na operação Infiltrados, deflagrada nesta terça-feira (9) pelo Ministério Público. Além dele, um ex-estagiário do MP e um ex-policial também foram detidos.
Operação Infiltrados
A ação apura novos focos de atuação das organizações criminosas, incluindo a corrupção de agentes públicos, a prática de extorsões, a violação de sigilo funcional, bem como a possível infiltração de membros da organização criminosa no próprio MP.
Ao todo, estão sendo cumpridos dez mandados de busca e apreensão e três mandados de prisão temporária nas cidades de Campinas e Cardoso, no interior paulista.
Por envolverem suspeitos integrantes da Polícia Civil e da Polícia Penal, para cumprimento das ordens judiciais de busca e apreensão e de prisão, expedidas pelo Juízo de Garantias de Campinas, o imprescindível apoio das Corregedorias da Polícia Civil e da Polícia Penal, bem como da Comissão de Prerrogativas da OAB, especificamente para as buscas em escritório de advocacia.
“Todos os fatos estão sob apuração no GAECO e o apoio das Polícias Militar, Civil e Penal demonstra que as Instituições estão trabalhando em conjunto para a depuração de seus quadros, garantindo que a sociedade sempre tenha à disposição um serviço público eficiente, contínuo e transparente”, declarou o MP em nota.
Investigação
No curso das investigações, o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) descobriu que, uma semana antes da deflagração da operação, um dos principais acusados, responsável direto pela execução do plano para matar o promotor de Justiça, se reuniu com o Chefe dos investigadores da Delegacia de Investigação Sobre Entorpecentes (DISE) de Campinas.
No material apreendido pelo Gaeco, foram localizados vídeos que mostram o encontro realizado entre os investigados, justamente às vésperas da deflagração da operação que viria a frustrar o suposto atentado contra o membro do Ministério Público.
Com o aprofundamento do trabalho, o Gaeco apurou que o responsável direto pela extorsão praticada contra o membro da organização criminosa seria um estagiário do próprio Ministério Público que, ao que tudo indica, meses antes, teria propositadamente se infiltrado em uma das Promotorias de Justiça Criminais de Campinas para fins criminosos.
“Utilizando os bancos de dados e sistemas de pesquisa e contando com o auxílio de outros agentes públicos, o estagiário teria conseguido identificar criminosos de alto poder econômico e, então, direcionado esforços para extorquir dinheiro em troca de suposta proteção nas investigações”, informou o Ministério Público em nota.
Dentre esses outros agentes públicos, estaria um policial penal e um ex-policial civil, já expulso da Polícia Civil anos atrás pela prática do crime de extorsão mediante sequestro. Também foram colhidos elementos que apontam que os atos de extorsão teriam sido praticados com o uso de internet de um escritório de advocacia.
Em outro foco investigativo também decorrente das Operações Pronta Resposta e Off White, o Gaeco descobriu que um dos principais membros da organização criminosa estava sendo vítima de extorsão, praticada por agente que se valia de informações privilegiadas.