Criminosos utilizam mochilas de delivery como disfarce para cometer assaltos e assassinatos em São Paulo, aproveitando a relação de confiança entre entregadores e população. A venda ilegal desses acessórios em sites de compras facilita a ação de bandidos, que usam o item para não levantar suspeitas durante abordagens em diferentes regiões da capital paulista.
A comercialização de bags falsificadas com logomarcas de empresas de entrega se tornou comum na internet. Por se tratar de itens falsificados, a produção e a venda desses produtos são ilegais. Especialistas alertam que o uso estratégico desse acessório garante uma "credibilidade" momentânea ao criminoso, permitindo que ele se aproxime de pedestres e condomínios sem ser identificado como uma ameaça imediata.
O impacto da violência na capital paulista
Casos recentes mostram a letalidade dessa modalidade de crime. No último domingo, na zona sul de São Paulo, um homem de 46 anos foi assassinado por um falso entregador. A vítima tentou interceder em um assalto cometido contra um casal quando foi baleada pelo criminoso disfarçado.
Outro registro de câmera de segurança na zona oeste da cidade capturou o momento em que um homem armado, utilizando uma bag de transporte, atacou duas mulheres que chegavam de carro a um condomínio.
Implicações jurídicas e fiscalização
A venda desses produtos pode acarretar punições criminais não apenas para quem executa o roubo, mas também para quem fornece o disfarce.
O especialista em segurança pública Clóvis Ferreira de Araújo avalia que as empresas ou indivíduos que comercializam essas mochilas ilegalmente podem ser entendidos como cúmplices.
Segundo Araújo, a lei penal admite essa interpretação porque o vendedor está entregando um instrumento essencial para a prática do crime. O especialista defende que o poder público deve aumentar o rigor das penas para o comércio clandestino e intensificar a fiscalização policial.
Para o advogado, é fundamental ampliar as blitzes focadas em motociclistas que portam essas bags. Ele ressalta que, nos inquéritos policiais de roubo e furto, as empresas que vendem os produtos clandestinos devem ser incluídas nas investigações por oferecerem o suporte logístico ao criminoso.
Rastreabilidade e segurança nos aplicativos
As empresas de aplicativos de entrega afirmam que buscam diálogo com as autoridades para aprimorar a segurança. De acordo com informações do setor, o objetivo é dificultar que o crime prejudique tanto os usuários quanto os trabalhadores que atuam dentro da legalidade.
A Keeta informou que está implementando uma tecnologia de QR Code para garantir a rastreabilidade das bagagens. A medida visa facilitar a identificação de itens falsos durante fiscalizações policiais e garantir que apenas entregadores cadastrados utilizem equipamentos oficiais.