Uma testemunha ouvida na investigação sobre a morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, em Limeira (interior de SP), afirmou à Polícia Civil que a organizadora do evento, Evelyne dos Santos Gonçalves, de 43 anos, determinou que o vídeo gravado pela câmera fixada no braço da vítima fosse apagado.
Maria Eduarda morreu em 13 de junho durante um salto de rope jump. A prática consiste em ser arremessada de uma ponte preso a cordas. No caso dela, no entanto, ela foi jogada sem as cordas necessárias. A câmera que estava presa a jovem sumiu do local da queda e ainda não foi encontrada.
De acordo com a testemunha, que prestava serviços para a organizadora no dia da morte da jovem, imediatamente após a queda, Evelyne demonstrou preocupação em recuperar a câmera usada no salto, segundo trecho do depoimento que consta no relatório final do inquérito.
Segundo ele, houve menção expressa de que seria necessário apagar o vídeo registrado, o que foi por ele recusado naquele momento em razão da prioridade no atendimento à vítima. --trecho do nquérito policial
O rapaz contou também que, ao retornar à parte superior da ponte, a mulher reiterou a preocupação com a câmera, "bem como solicitou que fossem retirados equipamentos do local e encaminhados ao veículo, o que ele afirmou ter cumprido". O relato sobre a câmera foi feito no terceiro depoimento do integrante da equipe --que funcionava como uma empresa, mas não era formalizada.
A investigação não conseguiu identificar quem foi o responsável por retirar uma câmera que estava acoplada ao corpo da vítima. João Antonio Pivetta Ribeiro da Silva foi preso pela suspeita de ter sumido com a câmera, mas o inquérito mostrou que não foram encontrados indícios suficientes de autoria. Em carta, ele já havia negado a acusação.
Em relação a Evelyne, indiciada pela morte da jovem e por fraude processual, o relatório apontou que "houve manifesta preocupação da investigada com a recuperação da câmera usada pela vítima durante o salto, equipamento potencialmente apto a registrar a integralidade da dinâmica dos fatos". A defesa dela diz que discorda do indiciamento.
Soma-se a isso o fato de que a própria investigada admitiu ter desativado perfil relacionado à atividade em rede social logo após os acontecimentos, circunstância que, embora isoladamente não configure ilícito penal, associada aos demais elementos colhidos, revela possível propósito de restringir o acesso a registros e informações potencialmente relevantes para a reconstrução dos fatos. --delegada Andréa Dantas Levy no inquérito
Conforme a investigação, ao menos três testemunhas relataram que um homem retirou a câmera que estava acoplada ao corpo da vítima. Porém, nenhuma conseguiu reconhecê-lo. Duas testemunhas disseram que se tratava de um homem de cabelo escuro e que usava uniforme da equipe responsável pela atividade.
A tragédia
O salto que matou a jovem aconteceu em 13 de junho. A corda que deveria estar presa ao corpo dela foi esquecida no chão pela equipe organizadora. Vídeos publicados em redes sociais mostram que, assim que a jovem foi arremessada de uma altura de 40 metros, algumas pessoas que aguardavam o salto perceberam a falta do equipamento e se desesperaram. O socorro chegou a ser acionado, mas ela morreu no local.
Além da organizadora do evento, em outro inquérito, concluído em 22 de junho, também foram indiciados por homicídio com dolo eventual --quando não há intenção, mas se assume o risco de matar-- os três instrutores que aparecem no vídeo lançando Maria Eduarda sem cordas de cima da Ponte do Esqueleto. Os três estão presos preventivamente, ou seja, por tempo indeterminado.
Com Estadão Conteúdo