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Tecnologia gaúcha dobra tempo de conservação de coração para transplante

Uma nova tecnologia desenvolvida no interior do Rio Grande do Sul dobrou o tempo em que um coração doado pode ser conservado antes do transplante, passando de quatro para oito horas, e vem ajudando a aumentar o número de cirurgias no País.

O equipamento é uma pequena caixa de transporte com sistema interno de refrigeração e sensores que mantêm a temperatura do órgão entre 4 e 10 graus.

Na grande maioria dos casos no Brasil, o transporte do coração doado é feito em uma caixa térmica com gelo, na qual o órgão só pode permanecer por até quatro horas. Como cada minuto é decisivo para que o coração chegue viável à mesa de cirurgia, a distância entre o doador e o receptor sempre foi um limitador para a realização dos transplantes.

A nova caixa é carregada na tomada, mas também funciona com baterias, o que permite o transporte em aviões, e conta ainda com GPS. Para o presidente do Instituto de Cardiologia (FUC), Gustavo Glotz de Lima, o equipamento representa uma mudança significativa.

"Essa caixa de preservação do órgão permite que corações possam vir de regiões muito distantes e chegarem aqui com muito melhor qualidade, para que o receptor receba e tenha excelente pós-operatório. Então isso é uma revolução aqui no nosso meio", afirma.

A tecnologia foi desenvolvida em Santa Rosa, no interior gaúcho, por iniciativa de um médico que trabalhou no Canadá, onde há um sistema semelhante de controle de temperatura do órgão. Os equipamentos estrangeiros, no entanto, são descartáveis e, por isso, muito mais caros e inviáveis para a realidade brasileira.

De acordo com o diretor cirúrgico do Programa de Transplante do Instituto de Cardiologia, Juglans Alvarez, o custo no exterior fica entre 5 e 25 mil dólares por caso, já que a caixa é jogada fora após cada uso. A solução gaúcha, ao contrário, é um dispositivo reutilizável por até cinco anos, com tecnologia de refrigeração de precisão.

O resultado já aparece nos números. No hospital do Instituto de Cardiologia, em Porto Alegre, a média de transplantes cardíacos eram de cinco a dez por ano antes da chegada do novo equipamento. Desde que ele passou a ser utilizado, o volume cresceu de forma expressiva: foram 20 transplantes em dez meses.

Além do Instituto de Cardiologia da capital gaúcha, outros três hospitais no Brasil já utilizam o equipamento. A caixa refrigerada foi projetada para o transporte de coração, mas a tecnologia também poderá ser aplicada no transporte de outros órgãos.

O avanço chega num momento em que o Brasil busca reduzir suas listas de espera. Recentemente, o País bateu recorde de transplantes, embora a falta de doadores ainda limite avanços. No transplante de coração, o tempo de isquemia — período em que o órgão permanece fora do corpo — é um dos fatores mais críticos, o que torna cada hora adicional de conservação determinante para viabilizar novas cirurgias.

Fonte: Band.
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