A atriz Glória Menezes, um dos maiores nomes da história da dramaturgia brasileira, morreu nesta terça-feira (18), aos 91 anos, em seu apartamento no Rio de Janeiro. Em seus últimos momentos de vida, a veterana esteve acompanhada pelo filho, o também ator Tarcísio Filho, único fruto de seu casamento de 59 anos com Tarcísio Meira (1935–2021).
A informação sobre a presença do filho no momento da morte foi confirmada por Tadeu Lima, assistente pessoal que trabalhou com a família por mais de duas décadas.
"Dona Glória faleceu hoje, de causas naturais, no apartamento dela no Rio de Janeiro, por volta das 14 horas. Tarcisinho estava com ela", contou o profissional à Quem.
Glória Menezes morreu de causas naturais, diz assistente pessoal da atriz
A presença e o cuidado de Tarcísio Filho foram constantes na vida da atriz, especialmente após a morte do pai, em agosto de 2021. Desde então, o ator acompanhava de perto a rotina e a saúde da mãe na capital fluminense.
Segundo o assistente pessoal, a atriz vinha lidando com problemas de saúde recentes antes do falecimento por causas naturais. "Ela pegou pneumonia um tempo atrás. Ia fazer 92 anos. Foram 23 anos trabalhando com a família", lamentou Tadeu.
Além de Tarcísio Filho, Glória Menezes deixa outros dois filhos, João Paulo e Maria Amélia, frutos de seu primeiro casamento.
Relembre os personagens mais marcantes da atriz
Nascida em 19 de outubro de 1934, em Pelotas (RS), ela se mudou para São Paulo com a família aos seis anos de idade. O nome de batismo, Nilcedes Soares de Magalhães, juntava as letras de Nilo e Mercedes, seus pais.
Após terminar os estudos na capital paulista, ingressou na Escola de Artes Dramáticas da Universidade de São Paulo (USP). Durante o período de formação, ela criou com os colegas o grupo de teatro amador Jovens Independentes.
Logo no seu primeiro espetáculo, em 1959, Glória ganhou o prêmio de atriz revelação em festival de teatro amador promovido pelo diretor Antunes Filho. No mesmo ano, realizou sua estreia em telenovelas com "Um Lugar ao Sol". Em seguida, Antunes Filho a convidou para atuar na peça "Feiticeiras de Salém". Nos bastidores da produção, ela conheceu o futuro marido, Tarcísio Meira.
No cinema, a atriz atuou em 1960 no filme "O Pagador de Promessas", dirigido por Anselmo Duarte. A produção estreou dois anos depois e conquistou a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Em 1963, estrelou ao lado de Tarcísio a primeira novela diária da televisão no Brasil, "25499 Ocupado", exibida ao vivo pela TV Excelsior. Durante a realização do projeto, os dois iniciaram o namoro e, posteriormente, se casaram.
Na sequência, o casal atuou junto nas tramas "A Deusa Vencida" (1965) e "Almas de Pedra" (1966). No ano seguinte, eles fizeram o primeiro trabalho na TV Globo, em "Sangue e Areia", obra de Janete Clair. Em 1968, os dois protagonizaram novelas separadas: Glória fez "Passos do Vento", e Tarcísio atuou em "A Gata de Vison". O público estranhou os artistas interpretando romances com outros pares, o que motivou o retorno dos dois como casal em "Rosa Rebelde", no ano seguinte.
Em 1970, Janete Clair assinou outro trabalho emblemático da atriz em "Irmãos Coragem". Na obra, Glória interpretou uma mulher com três personalidades: a recatada Lara, a extravagante Diana e a equilibrada Márcia. Dois anos depois, em 1972, ela protagonizou o primeiro programa integralmente exibido em cores na TV brasileira: "Meu Primeiro Baile", episódio do programa "Caso Especial".
Na década de 1970, atuou em produções como "O Grito" (1975), no papel de uma mãe de criança com problemas mentais; "Espelho Mágico" (1977), interpretando com Tarcísio atores que gravavam outra novela; e "Pai Herói" (1979), como a personagem Ana Preta.
Em 1983, no sucesso televisivo "Guerra dos Sexos", contracenou com Tarcísio Meira e viveu um final ousado com o personagem de Mário Gomes. Já em 1988, o casal coproduziu e estrelou o seriado "Tarcísio & Glória", em que ela deu vida à extraterrestre Ava Becker, e ele, ao empresário corrupto Bruno Lazzarini.
A partir dos anos 1980, colecionou personagens marcantes, como a vingativa Tereza em "Corpo a Corpo" (1984), a socialite falida Laurinha Figueroa em "Rainha da Sucata" (1990), a dona de casa desesperada Marta Toledo em "Torre de Babel" (1998), a feiticeira Zoroastra em "O Beijo do Vampiro" (2002) e a Baronesa de Bonsucesso, com Mal de Alzheimer, em "Senhora do Destino" (2004).
No teatro, a atriz atuou em "Tudo Bem no Ano Que Vem", texto de Bernard Slade que ficou cinco anos em cartaz, de 1976 a 1981. Ela também integrou os espetáculos "Navalha na Carne" (1981), de Plínio Marcos, "Um Dia Muito Especial" (1988), de Ettore Scola, e "Jornada de um Poema" (2000), interpretando uma paciente terminal de câncer.
Na televisão, voltou a atuar ao lado do marido em "Páginas da Vida" (2006) e "A Favorita" (2008). Mais tarde, realizou participação especial em "Joia Rara" (2013), esteve no elenco de "Totalmente Demais" (2015) e participou do humorístico "Tá no Ar" (2018).