O câncer de tireoide está entre os tumores mais frequentes entre mulheres no Brasil e apresenta forte concentração no Sudeste. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam que a região concentra a maior parte dos diagnósticos da doença no país, com destaque para o estado de São Paulo, responsável por cerca de 36% dos novos casos registrados nacionalmente.
No Brasil, são estimados cerca de 16.450 novos diagnósticos da doença por ano, sendo 13.310 em mulheres e 3.140 em homens.
Segundo o oncologista Carlos Fruet, o maior número de diagnósticos entre pessoas do sexo feminino também está relacionado ao comportamento de cuidado com a saúde. “Elas realizam mais consultas e exames de rotina, o que aumenta a chance de detectar nódulos e outras alterações na tireoide. Isso ajuda a explicar parte dessa diferença significativa na incidência do tumor entre homens e mulheres”, afirma.
Quinto tumor mais incidente entre brasileiras, o câncer de tireoide predomina no público feminino por diferentes razões. Questões hormonais estão entre os principais fatores, já que a glândula tireoide está diretamente relacionada ao metabolismo e ao equilíbrio hormonal do organismo, o que a torna mais sensível a alterações ao longo da vida da mulher.
“Durante a vida, as mulheres passam por mudanças hormonais importantes, como puberdade, gestação e menopausa, que podem influenciar no funcionamento da tireoide e aumentar a atenção para possíveis alterações na glândula”, explica Fruet.
O alto número de diagnósticos de câncer de tireoide também tem chamado cada vez mais a atenção da comunidade médica. Apesar disso, a doença costuma apresentar evolução favorável na maioria dos casos, especialmente quando identificada precocemente.
“É uma neoplasia relativamente comum, principalmente entre mulheres, mas que geralmente apresenta crescimento lento e altas taxas de cura quando diagnosticado e acompanhado adequadamente”, completa o oncologista.
Sintomas e prevenção
Na maioria das vezes, o câncer de tireoide não provoca sintomas nas fases iniciais e pode passar despercebido. “Muitos casos acabam sendo identificados durante exames de rotina ou quando o paciente percebe um nódulo na região do pescoço”, explica Fruet.
Quando surgem, os sinais costumam estar relacionados a alterações na região do pescoço. Entre os principais alertas estão nódulos ou inchaços na parte anterior do pescoço, dificuldade para engolir, rouquidão persistente, tosse ou sensação de compressão na garganta.
A presença desses sintomas, porém, não significa necessariamente câncer, já que outras condições benignas também podem provocar alterações na tireoide.
“A investigação adequada é fundamental para chegar ao diagnóstico correto. O mais indicado é iniciar com exames de imagem, como a ultrassonografia, seguidos de punção aspirativa para análise das células quando necessário”, explica o especialista.
Entre os fatores associados ao câncer de tireoide estão histórico familiar da doença, exposição à radiação na região da cabeça e do pescoço, especialmente durante a infância, além de dietas pobres em iodo.
“Qualquer alteração deve ser avaliada por um especialista. A investigação adequada é essencial para definir o diagnóstico e garantir o tratamento mais adequado para cada paciente”, finaliza Fruet.