As negociações para um possível acordo de colaboração premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, avançaram para uma fase decisiva. Interlocutores ligados ao caso definiram como "muito promissora" a recente conversa entre a defesa do empresário e integrantes do gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Embora a disposição para o diálogo seja real, o Judiciário e a Polícia Federal (PF) adotam uma postura pragmática: a viabilidade do acordo dependerá estritamente do peso das informações que Vorcaro "colocar na mesa".
Os três pilares para o acordo
Para que a delação seja homologada, as autoridades apresentaram três exigências fundamentais, classificadas como “necessidades básicas” para um acordo:
- A revelação de novas linhas de investigação que sejam, até o momento, totalmente desconhecidas pela PF e pela Procuradoria-Geral da República (PGR);
- A identificação de novos nomes envolvidos em crimes que Vorcaro tenha conhecimento direto, expandindo o alcance do inquérito para além dos alvos atuais;
- A apresentação de provas documentais, materiais e datas de ilícitos, para checagem das autoridades e elaboração de uma linha do tempo a ser cruzada com a de outros suspeitos
Estratégia "Follow the Money"
O foco central da PF nesta etapa é o rastreio financeiro, técnica conhecida no meio investigativo como follow the money (siga o dinheiro). O objetivo dos delegados é mapear o fluxo completo dos recursos: a origem dos ativos, quem operou as transações, os valores envolvidos e o destino final das verbas.
Com o cruzamento desses dados bancários e as possíveis revelações de Vorcaro, a PF avalia que conseguirá finalmente "montar o quebra-cabeça" das fraudes bilionárias que cercam o Banco Master e as irregularidades no INSS.
Contexto da prorrogação
A negociação ocorre em paralelo à decisão de André Mendonça de prorrogar o inquérito por mais 60 dias. O ministro, que assumiu a relatoria após a saída de Dias Toffoli, tem dado celeridade ao caso, autorizando o reforço da equipe técnica e a perícia em oito celulares apreendidos com o banqueiro.
A troca na defesa de Vorcaro - agora sob responsabilidade do advogado José Luis Oliveira Lima, experiente em acordos de colaboração - é vista por analistas em Brasília como o sinal definitivo de que o banqueiro busca reduzir possíveis penas diante do avanço das provas materiais colhidas pelos peritos.