O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou a abertura de um inquérito para apurar suspeitas de tráfico de influência no governo federal envolvendo o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em Brasília.
Relator do caso, Mendonça atendeu a um pedido da Polícia Federal (PF). A solicitação chegou à presidência do STF com sugestão de distribuição livre na Corte, o que poderia tirar o caso das mãos do ministro. A presidência, porém, remeteu o pedido a Mendonça, por entender que havia conexão com investigações sobre desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Segundo as apurações divulgadas inicialmente pela Folha de S.Paulo e confirmadas pelo jornal Estadão, Mendonça vinha cobrando nas últimas semanas informações sobre o andamento das investigações envolvendo Lulinha, o que gerou descontentamento em setores da PF.
Ligação com caso do INSS
O nome de Fábio Luís apareceu nas apurações sobre desvios de aposentadorias por causa de sua relação com um dos investigados apontado como líder do esquema, o empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como 'Careca do INSS'.
Em documento protocolado no STF, Lulinha admitiu que viajou a Portugal com despesas pagas por Antunes para prospectar um negócio de cannabis medicinal. A operação seria intermediada pela empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha e responsável por apresentá-lo ao 'Careca do INSS'. Ela recebeu pagamentos de R$ 1,5 milhão do empresário e afirmou que prestou consultoria para a regulação do mercado de cannabis medicinal no Brasil.
Conforme revelou o 'Estadão', a PF suspeita que Lulinha atuaria como sócio oculto de Antunes. No fim do ano passado, investigadores informaram a Mendonça que aprofundariam as suspeitas sobre o filho do presidente. Agora, concluíram que os fatos relacionados a Fábio Luís não têm ligação direta com os desvios do INSS e pediram um inquérito autônomo.
Suspeitas de tráfico de influência
No novo pedido, a PF cita possíveis práticas de tráfico de influência envolvendo o Palácio do Planalto e o Ministério da Saúde. O objetivo é apurar se Lulinha vendia acesso a integrantes do governo federal em troca de pagamentos.
Procurada, a defesa de Fábio Luís afirmou que recebeu com tranquilidade a notícia da abertura de inquérito e sustentou que ele não obteve qualquer pagamento por negócios de empresários com o governo Lula.
Defesa fala em “pesca probatória”
O advogado Marco Aurélio Carvalho, que representa Lulinha, classificou como 'estranha' a instauração de um novo inquérito e mencionou o que chama de 'pesca probatória'. Para ele, a PF precisa exercer a autonomia com responsabilidade.
Importante dizer que o presidente Lula devolveu as instituições de Estado à sociedade brasileira, notadamente a Polícia Federal, que tinha sido capturada pelo governo anterior por interesses políticos e eleitorais. A PF recuperou a independência e autonomia que são determinantes para a manutenção da credibilidade da instituição, mas ela precisa usar com responsabilidade. É estranha a notícia sobre a instauração de novo inquérito, a impressão que passa é que a Polícia Federal está promovendo uma espécie de pesca probatória. "Não achei nada aqui e vou procurar ali". Isso é muito grave. Não acharam nada do Fábio no bojo das investigações do INSS, como não vão achar em relação a esses fatos
Na visão de Carvalho, as suspeitas contra Lulinha não se sustentam e a apuração autônoma não deverá encontrar irregularidades envolvendo o filho do presidente.