Um avião da Latam Airlines Brasil precisou abortar uma decolagem enquanto outros dois jatos comerciais cruzavam a mesma pista no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, na manhã de sábado (15).
A interrupção ocorreu após uma ordem do controle de tráfego aéreo, que evitou uma possível colisão entre os aviões. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) apura o ocorrido.
O caso envolveu o voo LA8019, da Latam, operado por um Airbus A320 de matrícula PR-MHM, que tinha como destino Mendoza, na Argentina. No momento do incidente, havia neblina na região do aeroporto.
Gravações da comunicação entre a tripulação e a torre de controle mostram que o LA8019 recebeu, inicialmente, autorização para decolar pela pista 10L. Pouco depois, no entanto, antes de autorizar o cruzamento da pista pelos outros dois aviões, o controlador cancelou a autorização dada ao Airbus da Latam.
“8019, desconsidere. Cancele a autorização para decolagem”, informou o controlador.
O piloto respondeu à chamada e confirmou o recebimento da nova instrução: “Ciente, cancelada autorização do 8019”.
Após essa comunicação, o controle de tráfego aéreo passou instruções a outros aviões que operavam no aeroporto. Entre eles, autorizou que um Boeing 787-8 da American Airlines, procedente de Miami, e um Airbus A330-900 da Delta Air Lines, vindo de Nova York, cruzassem a pista 10L durante o taxiamento até o pátio.
Apesar do cancelamento anterior registrado na fonia, o Airbus A320 do voo LA8019 iniciou a corrida para decolagem pela pista.
Dados do site de rastreamento de voos Flightradar24 analisados pela reportagem indicam que o avião começou a acelerar por volta das 8h24, no horário de Brasília, e chegou a aproximadamente 129 km/h.
Na sequência, quando os aviões da American Airlines e da Delta começaram a cruzar a pista, o controlador voltou a chamar o LA8019 e determinou imediatamente a interrupção da decolagem.
“8019, cancele autorização de decolagem! Repito, cancele autorização de decolagem!”, afirmou.
“8019 abortou decolagem”, respondeu o piloto.
A aeronave reduziu a velocidade e permaneceu no solo, enquanto os outros dois aviões concluíram o cruzamento da pista e seguiram o taxiamento até o pátio.
Após a interrupção da manobra, houve um novo diálogo entre o controlador e a tripulação do LA8019. O controlador afirmou que a autorização para decolagem já havia sido cancelada quando o Airbus ainda estava na cabeceira da pista.
“Você está sobre a pista, mas eu tinha cancelado sua autorização de decolagem ainda na cabeceira”, questionou.
O piloto contestou:
“Negativo, você tinha autorizado e eu pedi o ajuste do QNH 1019”, disse.
O controlador então reforçou que havia dois aviões cruzando a pista e determinou que o LA8019 permanecesse na posição e aguardasse novas instruções.
Após o ocorrido, o Airbus retornou à fila de espera e decolou para Mendoza com mais de quarenta minutos de atraso.
Em nota, a Força Aérea Brasileira (FAB) informou que os dados referentes à ocorrência estão sendo coletados e analisados pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA).
Procurada, a Latam Airlines Brasil confirmou que o avião interrompeu a decolagem após a solicitação do controle de tráfego aéreo e disse que procedimento foi efetuado em segurança.
A companhia informou que está em contato com as autoridades e à disposição para fornecer esclarecimentos.
Em nota, a concessionaria GRU Airport disse que o incidente não impactou as operações de pousos e decolagens no Aeroporto de Guarulhos (SP).
A NAV Brasil, responsável pela Torre de Controle do Aeroporto de Guarulhos (SP), confirmou que o avião da Latam iniciou a corrida de decolagem sem autorização do controlador, no momento em que os jatos da American Airlines e da Delta, autorizados pela torre, cruzavam a pista 10L.
Segundo a empresa, o controlador percebeu a situação e interveio imediatamente, seguindo os procedimentos operacionais previstos e impedindo o prosseguimento da decolagem.
A empresa afirmou ainda que todas as ações foram adotadas para garantir a segurança das operações.