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Sete em cada dez mulheres dizem que já sofreram assédio, mostra pesquisa

Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, um novo levantamento acende o alerta para a persistência da violência de gênero nas grandes cidades brasileiras. Pesquisa realizada pela Ipsos-Ipec em parceria com o Instituto Cidades Sustentáveis mostra que 71% das mulheres entrevistadas em dez capitais afirmam já ter sofrido algum tipo de assédio em pelo menos um dos ambientes investigados.

O estudo “Viver nas Cidades: Mulheres 2026” ouviu 3.500 pessoas, de forma online, entre 1º e 27 de dezembro de 2025. Entre as mulheres — que somaram 2.066 respondentes nesta edição — o percentual de vítimas se manteve elevado e estável em relação a 2024 (74%), indicando que não houve avanço significativo no enfrentamento do problema no período de um ano.

Ruas e transporte público lideram ocorrências

 

Os dados revelam que os espaços públicos continuam sendo os locais mais hostis para as mulheres. Em 2025, 54% afirmaram ter sofrido assédio em ruas, praças, parques ou praias. O transporte público aparece em seguida, com 50% das menções.

O ambiente de trabalho foi citado por 36% das entrevistadas, enquanto 32% relataram episódios em bares e casas noturnas. O assédio no ambiente familiar atinge 26%, e 19% disseram já ter passado por esse tipo de situação em transportes particulares, como táxis, mototáxis e aplicativos.

A pesquisa mostra ainda que, em algumas capitais, os índices são ainda mais alarmantes. Em Porto Alegre, 82% das mulheres relatam já ter sofrido assédio — o maior percentual entre as cidades pesquisadas. Em Belém, o índice chega a 79%. Já Fortaleza e Salvador registram os menores percentuais, ambos com 68%, ainda assim acima de dois terços das entrevistadas.

Em Goiânia, um dado chama atenção: 9% das mulheres afirmam ter sofrido assédio em todos os ambientes pesquisados.

Jovens e mulheres com ensino superior relatam mais casos

A análise por segmentos indica que o problema é especialmente grave entre mulheres de 16 a 24 anos: 76% delas relataram assédio em espaços públicos. O índice também é maior entre mulheres com ensino superior (62% nas ruas) e entre aquelas que convivem com pessoas com deficiência.

Os resultados reforçam que o assédio não se restringe a um único perfil socioeconômico ou faixa etária, atingindo mulheres de diferentes contextos.

Percepção de desigualdade começa dentro de casa

Além da violência nas ruas e nos transportes, o levantamento aponta para um “duplo fardo” enfrentado pelas mulheres: insegurança nos espaços públicos e sobrecarga nas tarefas domésticas.

Quatro em cada dez entrevistados (39%) afirmam que as atividades domésticas são de responsabilidade de homens e mulheres, mas que as mulheres fazem a maior parte. Outros 37% dizem que as tarefas são divididas igualmente.

No entanto, a percepção muda significativamente quando analisada por gênero. Entre os homens, 47% acreditam que há divisão igualitária. Entre as mulheres, apenas 28% concordam com essa avaliação. Já 44% delas afirmam que, embora a responsabilidade seja compartilhada, são elas que executam a maior parte do trabalho — percepção reconhecida por apenas 32% dos homens.

Em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro, 40% dos entrevistados afirmam que as mulheres fazem a maior parte das tarefas domésticas, os maiores percentuais da pesquisa nesse quesito.

Punição mais dura é prioridade para combater a violência

Questionados sobre quais medidas deveriam ser prioridade no enfrentamento da violência doméstica e familiar, 55% dos entrevistados apontaram o aumento das penas contra agressores como principal ação. Em seguida aparecem a ampliação dos serviços de proteção às vítimas (48%) e a agilização das investigações (37%).

A defesa de punições mais severas é majoritária em todas as capitais pesquisadas. Entre as mulheres, há maior ênfase também na necessidade de qualificar o atendimento: 28% defendem treinamento específico para melhorar o acolhimento nos canais de denúncia, contra 17% dos homens.

Os dados indicam que, embora haja forte apoio a medidas punitivas, cresce a percepção de que é preciso fortalecer a rede de proteção e garantir atendimento humanizado às vítimas.

Metodologia

A pesquisa ouviu internautas com 16 anos ou mais, das classes ABCDE, residentes há pelo menos dois anos em Belém, Belo Horizonte, Fortaleza, Goiânia, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. A margem de erro é de dois pontos percentuais para o total da amostra, com nível de confiança de 95%.

Os resultados serão apresentados em evento público no dia 5 de março, no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc, em São Paulo.

Desafio estrutural

A comparação entre 2024 e 2025 revela que os indicadores permanecem praticamente inalterados, evidenciando que a violência de gênero segue como problema estrutural nas grandes cidades brasileiras.

Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, os números reforçam que o direito das mulheres à cidade — de circular, trabalhar e ocupar espaços públicos com segurança — ainda está longe de ser plenamente garantido.

Fonte: Band.
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