Apenas dois anos após enfrentarem uma das piores tragédias climáticas de sua história, moradores de diversas regiões do Rio Grande do Sul voltam a conviver com o pesadelo das enchentes. Rajadas de vento e chuvas intensas registradas nos últimos dias provocaram estragos em ao menos 136 municípios gaúchos e deixaram mais de mil pessoas desabrigadas ou desalojadas.
- Municípios afetados: 136 cidades com estragos registrados pela Defesa Civil.
- Deslocados: Mais de 1.000 pessoas fora de suas residências.
- Pontos críticos: Região Metropolitana de Porto Alegre e Vales dos Rios.
- Alerta estendido: Risco de temporais contínuos até meados de agosto.
Medo de novos prejuízos força corrida contra o tempo
Diante do avanço acelerado do nível das águas, famílias começaram a se evacuar de forma preventiva para não perderem todos os seus pertences novamente. Caminhões de mudança percorrem bairros periféricos para resgatar móveis, eletrodomésticos e artigos pessoais conquistados ao longo de anos de trabalho.
Em Eldorado do Sul, na Região Metropolitana de Porto Alegre, a água voltou a invadir ruas e residências no bairro Cidade Verde — uma das comunidades mais severamente castigadas pela grande enchente de 2024.
"A gente não sabe o que vai esperar. Tá chovendo demais e eu não vou ficar pra ver perder tudo de novo. Depois daquela enchente grande, a gente fica com medo, né?"— Angel da Silva, dona de casa.
A apreensão toma conta das comunidades atingidas. Para a vendedora Terezinha Nunes, moradora da região, o sentimento de impotência reaparece a cada centímetro que a água sobe: "Aqui a gente perde tudo", desabafa, sem conter a emoção.
Nível dos rios e situação no interior
A água que agora ameaça a Grande Porto Alegre vem da cabeceira de rios localizados no interior do estado. Em municípios onde a chuva deu trégua temporária, os rios começam a dar os primeiros sinais de estabilização.
Em Montenegro, no Vale do Caí, o nível do Rio Caí se estabilizou no início da tarde e começou a recuar gradualmente. Embora algumas famílias desabrigadas já planejem o retorno para casa, as autoridades alertam que o alívio pode durar pouco.
"Aqui em Montenegro, o nível do Rio Caí se estabilizou no início da tarde e está baixando. As famílias desabrigadas não devem demorar pra voltar pra casa, mas a previsão aponta que talvez elas tenham de deixar tudo pra trás de novo."— Eduardo Carvalho, repórter do Jornal da Band em Montenegro (RS).
Alerta meteorológico se estende até agosto
A maior preocupação dos órgãos de emergência e da Defesa Civil reside na persistência do quadro meteorológico. Os modelos apontam que o período de instabilidade e temporais deve se estender até a segunda semana de agosto no Rio Grande do Sul, criando condições para novas cheias e repiques nos níveis dos rios.
Com o solo encharcado e os sistemas de drenagem urbana já saturados, qualquer novo volume expressivo de chuva aumenta consideravelmente o risco de novos alagamentos.
"A gente sabe que de agora em diante a coisa vai piorar. Os açudes e os bueiros já estão cheios... Agora é ter que ficar esperto, porque senão é terrível." — Angélica Caetano Maria, técnica de enfermagem.
A Defesa Civil do Estado reforça a orientação para que famílias residentes em áreas de risco fiquem atentas aos boletins de emergência e sigam as instruções de evacuação ao menor sinal de subida das águas.