Rodrigo Bocardi quebrou o silêncio sobre sua saída da TV Globo, ocorrida em janeiro de 2025, e classificou o episódio como uma injustiça. Em entrevista ao jornalista Flávio Ricco, exibida do Melhor da Tarde desta quarta-feira (29), o ex-âncora do Bom Dia São Paulo afirmou que não foram apresentadas provas das denúncias contra ele e revelou que já não sentia prazer na rotina exaustiva da emissora.
"Nenhuma prova daquilo que fui acusado foi apresentada", defende o jornalista
Ao ser questionado sobre os bastidores de seu desligamento, Bocardi foi direto ao ponto. O apresentador ressaltou que o período de um ano e meio fora do ar serviu para consolidar sua visão sobre o ocorrido. Ele nega qualquer conduta antiética e reforça que sua consciência está tranquila diante das acusações que circularam na época.
"Eu me considero injustiçado nesse episódio. Nenhuma prova daquilo que eu fui acusado foi apresentada e eu tenho a tranquilidade de que isso não existe", declarou o jornalista. Para ele, as denúncias foram tentativas de prejudicar sua imagem em um meio onde se constroem muitas inimizades.
Bocardi fala sobre acusação de estar em envolvido em esquema para tirar dinheiro de empresas
O desabafo de Bocardi ocorre em resposta a informações publicadas pelo site Notícias da TV. Segundo as denúncias, o jornalista teria utilizado um operador para cobrar cifras milionárias de empresas de serviços públicos, como transporte e coleta de lixo, para que elas não fossem criticadas durante o telejornal matinal.
Bocardi negou veementemente qualquer participação em esquemas e afirmou que os ataques não condizem com sua história. Ele acredita que o processo de mudança no jornalismo, tornando-o mais próximo das pessoas e menos impositivo, incomodou setores específicos, mas mantém que sua postura sempre foi de mediador e não de um "apresentador dono da verdade".
Além da polêmica judicial e ética, Rodrigo Bocardi revelou que o fim do ciclo na Globo também foi motivado pelo cansaço físico. Ele admitiu que já não aguentava mais o despertador tocando às 4h da manhã, rotina que manteve por 13 anos. O jornalista afirmou que o prazer pelo trabalho havia desaparecido muito antes da demissão oficial.
"Eu já não aguentava mais e não queria mais acordar quatro da manhã. Eu não tinha prazer, de verdade. Só acreditem nisso: eu não sentia prazer naquilo", desabafou.
Hoje, ele avalia que a demissão foi o "empurrão" necessário para que ele pudesse focar em projetos grandiosos e recuperar a leveza no dia a dia profissional.
O início de tudo na Band
Bocardi aproveitou o espaço para relembrar que sua formação profissional começou no Grupo Bandeirantes. Ele recordou com nostalgia os tempos de rádio-escuta de madrugada, onde usava papel carbono para distribuir apurações criminais entre o rádio e a TV.
O jornalista citou figuras como Fernando Mitre, com quem ainda mantém proximidade, e a família Saad como pilares de sua educação no jornalismo. Para Bocardi, a Band foi a escola que o preparou para entender que o jornalismo deve ser feito ao lado do telespectador, assimilando a informação junto com o público.