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Renan Santos defende bomba atômica e diz que Brasil é 'vassalo da China'
Reprodução/Band

O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) afirmou nesta quarta-feira (26) que, diante de uma ordem internacional em profunda transformação e cindida por potências globais, o Brasil precisa passar por uma reconstrução de sua soberania. Nesse sentido, ele defende que o país comece a desenvolver bombas nucleares.

Em entrevista à TV Globo, o candidato afirmou que o mundo vive o fim do pacto pós-Segunda Guerra Mundial, com Estados Unidos e China se digladiando de forma direita ou indireta, e que, nesse cenário, o Brasil tem se comportado de forma submissa, posicionando-se como um "agente menor" diante dessas disputas.

Bomba atômica como poder de barganha

A proposta mais ousada de Renan Santos para reverter a submissão geopolítica brasileira é o desenvolvimento de armas nucleares. Ele aponta que, entre as nações com grande território, vasta população e economia expressiva, o Brasil é o único que não dispõe de armas nucleares.

Embora admita que o Brasil não tem condições de desenvolver a bomba nos próximos dez anos, ele defende que se inicie um processo de pesquisa e debate sobre o tema. O objetivo de ter um arsenal nuclear nos próximos 30 anos não seria "arrumar briga", mas garantir poder de barganha para proteger riquezas nacionais --como minerais, alimentos, energia e terras raras-- da cobiça internacional.

Para ele, as nações mais respeitadas se protegem pelo poder de dissuasão militar e ressalta que "a ordem mundial pacífica acabou". "Mas se quisermos ser o eterno Zé Carioca, personagem engraçado, que faz festa para gringo, tudo bem, não fazemos armas nucleares e aceitamos nossa posição submissa"

O trunfo das terras raras contra os EUA

Ainda no campo geopolítico, Santos vislumbra uma oportunidade estratégica importante nas reservas nacionais de terras raras para negociar com os EUA. Segundo ele, os EUA precisam das terras raras para manter seu poderio militar e, hoje, precisa recorrer ao seu principal riva, a China, para isso.

Como o Brasil detem a segunda maior reserva de terras raras no mundo, Renan afirma que os EUA precisarão negociar para garantir sua própria soberania militar nas próximas décadas e, nesse momento, os dois países poderão negociar em um patamar de igualdade.

O candidato declarou ainda que "não vê problemas em mudar a constituição em relação a outros países" para facilitar essas parcerias estratégicas.

Guerra ao crime organizado

Na segurança pública, o tom de Renan Santos é igualmente rígido. Ele afirma que o país vive sob uma guerra declarada de forma unilateral pelo crime organizado, na qual cerca de 40 milhões de brasileiros vivem sob a influência direta ou indireta de facções criminosas. Sua proposta central é declarar oficialmente guerra a essas organizações, fazendo em paralelo uma reestruturação profunda da legislação.

Santos defende alterações nas leis de execução penal, no código penal e no de processo penal, visando o aumento substancial de penas para crimes violentos cometidos com armas de fogo. Ele propõe uma nova legislação que classifique o membro de facção criminosa como um agente "anômalo", suspendendo garantias como a presunção de inocência para os chamados "inimigos da nação".

Para sustentar essa política, ele propõe investimento de R$ 6 bilhões para a construção de 10 presídios de segurança máxima, gerando entre 30 mil e 40 mil novas vagas cada unidade. Usando o Rio de Janeiro como exemplo, o candidato estima ainda um custo anual de R$ 5 bilhões por ano para operação no estado, com o Exército atuando de forma auxiliar á força policial.

Ao comentar a violência urbana e sua polêmica frase de que fará “um banho de sangue” caso eleito, Santos mencionou um caso recente de latrocínio em São Paulo e justificou a necessidade de uma repressão letal severa por parte do Estado: "O banho de sangue pode não ser bonito, mas é a única resposta que tenho para uma pessoa que aponta uma arma para você no meio da rua".

Cortes de gastos e reformas dolorosas

Para viabilizar financeiramente as reformas de infraestrutura e segurança, Santos propõe um ajuste fiscal que classifica como "doloroso e impopular". Suas medidas envolvem a desindexação e a desvinculação dos pisos constitucionais de Saúde e Educação. Ele argumenta que o engessamento atual da legislação prejudica e quebra municípios com populações envelhecidas que demandam mais verbas para o SUS do que para escolas sem alunos.

Sua agenda econômica também engloba uma nova reforma da Previdência e profundos cortes de gastos estruturais. O objetivo é obter uma economia de R$ 1,1 trilhão, permitindo a queda dos juros e gerando recursos para investimentos governamentais maciços em infraestrutura.

Entre as principais metas sociais desse plano está a criação de um plano nacional para "desfavelizar o Brasil", transformando favelas em bairros urbanizados e promovendo o desenvolvimento do Nordeste como a "nova locomotiva do Brasil".

Relações com as instituições

Em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF), Renan Santos defendeu a polêmica tese de que decisões judiciais manifestamente ilegais não devem ser cumpridas. Ele citou como exemplo recente uma determinação do ministro Alexandre de Moraes que quebrou o sigilo de fonte jornalística, o que, segundo ele, violou uma cláusula pétrea da Constituição Federal.

Embora negue que sua postura signifique desrespeitar indiscriminadamente as decisões da Corte, Santos afirmou que "qualquer cidadão tem o dever de não cumprir uma decisão ilegal" que possa destruir a vida de uma pessoa. Ele acrescentou que, diante de uma dessas decisões, buscaria amparo, por exemplo, na Advocacia-Geral da União (AGU) e não faria de maneira puramente individual.

Fonte: Band.
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