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Quem é Tatiana Sampaio, cientista que lidera pesquisa sobre polilaminina
Fernando Souza/UFRJ

A cientista brasileira Tatiana Sampaio, professora e pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), está ganhando os holofotes devido a uma pesquisa apontada como uma terapia promissora para o tratamento de lesões na medula espinhal: a polilaminina.

Neste fim de semana, o cantor João Gomes interrompeu sua apresentação em um camarote na Marquês de Sapucaí para homenagear a pesquisadora, que estava na plateia. "Você é a maior celebridade que temos aqui hoje", disse o artista. 

Em publicação nas redes sociais, Tatiana agradeceu as palavras do cantor. “A verdadeira celebridade é a ciência. É a esperança. É cada vida transformada. Ser reconhecida dessa forma reforça que estamos no caminho certo - levando conhecimento, inovação e propósito além dos laboratórios e alcançando corações”, escreveu. 

Mas quem é a mente por trás da pesquisa sobre a polilaminina e por que esse avanço é tão importante para o futuro da saúde?

Quem é Tatiana Sampaio

Tatiana Lobo Coelho de Sampaio nasceu em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Na escola, se interessou por Biologia. 

Fez a graduação (Ciências Biológicas, 1986), o mestrado (Ciências Biológicas,  1990) e o doutorado (Ciências, 1992) pela UFRJ e dois estágios de pós-doutorado, um em imunoquímica na Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, e outro em inibidores de angiogênese na Universidade de Erlangen-Nuremberg, na Alemanha. 

Em 1995, depois do pós-doutorado, Tatiana Sampaio ingressou na UFRJ como professora. Dois anos depois, em 1997, iniciou seus estudos sobre a polilaminina.

Atualmente, é coordenadora do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, um laboratório de pesquisa de bioquímica e biofísica de proteínas, mais especificamente a polilaminina. Esses estudos indicam que a substância tem potencial para reverter lesões da medula espinhal.

A substância vem sendo testada em modelos animais desde os anos 2000 e agora chegou à fase clínica em humanos, autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O que é polilaminina?

A polilaminina é uma molécula experimental derivada da laminina, uma proteína presente naturalmente no corpo humano, especialmente na matriz extracelular — a estrutura que sustenta e organiza células e tecidos. Pesquisadores brasileiros adaptaram essa proteína para criar um material que funciona como um “andaime biológico”, oferecendo suporte físico e químico para ajudar fibras nervosas a atravessarem áreas onde normalmente não conseguiriam se reconectar após uma lesão medular. 

Em termos simples, é uma substância desenvolvida para tentar estimular a reconexão nervosa em casos em que a medula espinhal foi gravemente danificada, como acontece após traumatismos severos que deixam pacientes com paraplegia (paralisia das pernas) ou tetraplegia (paralisia dos quatro membros).

Fase de testes clínicos: o que isso significa

A polilaminina ainda está em fase inicial de pesquisa clínica, cujo principal objetivo é avaliar segurança — não eficácia — em um número pequeno de participantes.

A Anvisa aprovou em janeiro de 2026 a fase 1 do estudo clínico com polilaminina, envolvendo pacientes com lesões medulares recentes e completas entre vértebras torácicas. Essa fase tem foco na segurança da substância, ou seja, em identificar como ela reage no corpo e se há riscos potencialmente graves que possam impedir seu avanço. 

A sequência de fases clínicas é longa:

  • Fase 1: segurança e tolerabilidade.
  • Fase 2: eficácia preliminar e definição de dose.
  • Fase 3: eficácia ampla com comparação a tratamentos existentes.
  • Pós-comercialização: monitoramento contínuo se aprovada.

Até que todas sejam concluídas com dados robustos, a polilaminina não pode ser considerada um tratamento comprovado ou uma cura para lesões medulares.

Fonte: Band.
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