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Quem é pastor brasileiro por trás de igreja frequentada por Flávio nos EUA
Reprodução/Instagram

A primeira aparição pública do senador Flávio Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos foi na unidade de uma igreja evangélica brasileira na Flórida em um domingo, 1º de novembro. A Celeiro Flórida Casa de Oração é a denominação estrangeira do Ministério Celeiro, fundado em novembro de 2025. Parte do sucesso repentino vem da identidade de um dos fundadores: o pastor André Fernandes, um dos rostos mais expressivos do meio evangélico brasileiro.

A visita ao culto na Flórida não foi a primeira feita por Flávio Bolsonaro à Celeiro. Antes da fuga para os Estados Unidos, o senador havia visitado uma divisão do Ministério Celeiro em São Paulo, um dia antes da realização do primeiro ato de campanha na Avenida Paulista, no feriado de 7 de Setembro.

Na ocasião, Fernandes afirmou que “jamais” pediria voto em alguém, mas que o senador seria seu candidato para o pleito deste ano.

Por três anos e meio, Fernandes foi o pastor à frente da Igreja Lagoinha Alphaville, uma das unidades mais influentes da Igreja Batista da Lagoinha no Brasil. A unidade coleciona polêmicas, como área VIP paga para famosos e simulação de leilão de itens grifados. O pastor deixou a Lagoinha sob polêmicas e em conflito com André Valadão, pastor-presidente da congregação.

Reservado com a vida pessoal, o pastor tem proximidade com nomes investigados pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apurou as fraudes bilionárias em contas de advogados e pensionistas no Instituto Nacional de Segurança Social (INSS). Fernandes esteve entre os convocados para depor, mas não compareceu (mais detalhes adiante).

Quem é André Fernandes?

Antes de tornar-se pastor, André Fernandes era empresário e trabalhou sobretudo no ramo imobiliário. É também empresário, escritor, influenciador digital e palestrante com milhões de seguidores nas redes sociais.

Em diversas entrevistas, narra que foi despertado para a religião aos 20 anos, por influência da família da esposa, a pastora Quezia Fernandes. Neste tempo, afirma ter se engajado em ações beneficentes e liderado um grupo de jovens no Rio de Janeiro. Aos poucos, relata que começou a ser guinado para o caminho da evangelização.

É um dos pastores evangélicos brasileiros mais seguidos nas redes sociais, onde compartilha trechos de seus louvores. Atualmente, ele tem 3,1 milhões de seguidores no Instagram, 1,6 milhão de inscritos no YouTube e 420 mil seguidores no TikTok. Além disso, lançou seis livros e passou a produzir conteúdo para várias mídias, de vídeos e podcasts. Em 2024, tornou-se embaixador do SBT.

Entre os seguidores do pastor estão personalidades famosas como Neymar Jr. e Bruna Biancardi, Maíra Cardi, Thiago Nigro e os ex-BBBs Eliezer e Viih Tube. Em julho deste ano, foi celebrante do casamento do tricampeão mundial de surfe Gabriel Medina com a influenciadora Isabella Arantes.

De estrela da Lagoinha a fundador de casa de orações

A popularidade de Fernandes expandiu ainda mais em 2022, quando tornou-se a liderança pastoral da Lagoinha Alphaville, uma das divisões mais influentes e populares da congregação — só no Instagram, o perfil oficial da denominação tem 739 mil seguidores. Ficou conhecido por suas pregações que tratam de temas como saúde mental, depressão e prosperidade.

Contudo, a igreja também foi centro de polêmicas durante a liderança de Fernandes. No fim de 2024, a igreja também enfrentou críticas por ter cobrado valores de R$ 3.500 em ingressos VIP para um evento de Réveillon no Nubank Parque. O tratamento de destaque a convidados "premium" também era comum dentro da igreja, que dispunha de área reservada em frente ao púlpito de pregação, camarim, bufê e garçom a celebridades.

 

Outra controvérsia aconteceu em fevereiro de 2025, quando viralizaram nas redes sociais trechos de pregações em que simula um "leilão" de itens de luxo, incluindo um relógio da Bvlgari de R$ 20 mil. Também falou de uma suposta doação de uma "X6 blindada com 6.000 quilômetros" — um carro de luxo.

"Alguns vão dizer: 'Lá tem um monte de gente que usa Rolex.' Mas vocês vão dizer: 'Mas poucas igrejas têm ofertado tanto Rolex aos pés de Jesus como aquela igreja'", chegou a dizer na mesma ocasião.

Os episódios desgastaram a relação com André Valadão, que também o acusou de não ter quitado um helicóptero de R$ 4,5 milhões comprado por ele em nome da igreja. Fernandes nega irregularidades, afirma ser alvo de uma "narrativa construída" de difamação e que sua saída foi motivada por "discordâncias nas visões de futuro".

O Ministério Celeiro House of Prayer foi fundado em novembro de 2025 por Fernandes ao lado da esposa. A primeira unidade foi aberta em Santo Amaro, na Zona Sul da capital paulista. Em janeiro de 2026, o casal fundou a Celeiro Flórida Casa de Oração na cidade de Fort Lauderdale, na Flórida (EUA).

A divisão internacional é ministrada pelos pastores José Maurício Fernandes e Alice Fernandes — conhecidos como Paizão e Mãezona, aparecem ao lado de Flávio Bolsonaro na foto que circulou pela internet.

Convocação à CPMI do INSS

Segundo a convocação de testemunha emitida pelo Senado, o pastor foi incluído por ser próximo de Felipe Macedo Gomes. Gomes é identificado nas investigações da Polícia Federal como um dos empresários integrantes do grupo Golden Boys — empresários por trás de quatro associações que faziam descontos indevidos de aposentados e pensionistas. A estimativa da Polícia Federal (PF) é que o grupo tenha movimentado em torno de R$ 700 milhões.

Enquanto era pastor na Lagoinha Alphaville, Fernandes recebeu uma transferência bancária no valor de R$ 200 mil, definida como "doação". O parecer afirma que a movimentação ocorreu no auge da "Farra do INSS", nome dado pela PF ao esquema nos relatórios da Operação Sem Desconto.

"A Controladoria-Geral da União (CGU), no âmbito das investigações relativas à Farra do INSS, identificou a utilização de igrejas evangélicas por suspeitos de desviar recursos de aposentados e pensionistas, como possível mecanismo para a prática de lavagem de dinheiro", justifica o texto.

Pelo alto volume e em razão da expressividade do pastor, o Senado entendeu que o repasse "carece de melhor esclarecimento". Com isso, Fernandes foi convocado em 1º de dezembro de 2025, pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG), integrante da CPMI do INSS, a prestar depoimento por conta de um repasse de R$ 200 mil.

"Essa movimentação, ocorrida no auge da chamada 'Farra do INSS', em razão de sua expressividade e volume, carece de melhor esclarecimento", diz a convocação. André Fernandes não compareceu à CPMI.

 
Fonte: Band.
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