A Quarta-Feira de Cinzas marca oficialmente o início da Quaresma, período de 40 dias que antecede a Páscoa e é tradicionalmente dedicado à penitência pelos fiéis da Igreja Católica. Um dos reflexos imediatos dessa tradição é a substituição da carne vermelha pelo pescado, o que já movimenta o setor de peixarias e gera otimismo entre os comerciantes.
Em Presidente Prudente, no interior de São Paulo, o setor já sente o aumento na demanda. Segundo Maciel Siqueira, proprietário de uma peixaria na cidade, a expectativa é de que as vendas cresçam entre 30% e 40% durante o período quaresmal. A tendência é que, com a proximidade da Semana Santa, o fluxo de clientes e o volume de negócios se intensifiquem ainda mais.
Procura por pescados acessíveis e logística
Embora o bacalhau seja o prato mais emblemático das celebrações pascais, o consumidor tem buscado alternativas mais econômicas para manter o hábito durante as seis semanas do período. Peixes como a tilápia, a merluza e a sardinha são os campeões de procura nas bancas devido ao preço mais acessível.
Para dar conta do aumento significativo no consumo, o planejamento das peixarias começa muito antes da Quarta-Feira de Cinzas. Maciel Siqueira ressalta que a preparação logística — que envolve desde o contato com fornecedores até o reforço no estoque — é fundamental para garantir que não falte produto e que os preços se mantenham competitivos diante da alta demanda sazonal.
Tradição e calendário religioso
A prática da abstinência de carne vermelha é uma das tradições mais conservadas do catolicismo, simbolizando um período de reflexão e sacrifício. Este ano, a Quaresma segue até o dia 2 de abril, data que encerra o ciclo de preparação para a Páscoa.
Durante todo este intervalo, o mercado de pescados deve permanecer aquecido. Especialistas do setor orientam os consumidores a pesquisarem preços e variedades, já que a oscilação de valores é comum nesta época do ano em função da grande procura por proteínas marinhas e de água doce.