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Professores de SP somam 33 mil afastamentos por transtornos mentais em apenas um ano

A saúde mental dos educadores da rede estadual de ensino de São Paulo voltou a acender um alerta importante. Dados obtidos pelo Centro do Professorado Paulista (CPP) junto à Diretoria de Perícias Médicas do Estado de São Paulo (DPME) revelam que os professores da rede estadual registraram 33.309 afastamentos favoráveis por transtornos mentais e comportamentais ao longo de 2025.

O volume expressivo representa uma média diária de aproximadamente 91 licenças médicas concedidas no período. A tendência de alta prossegue no ano corrente: somente entre janeiro e março, a DPME já contabilizou 6.256 novos registros, o que equivale a cerca de 69 afastamentos por dia.

Impacto na rotina das escolas e distribuição regional

Os dados — enquadrados nos códigos F00 a F99 da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) — evidenciam o impacto profundo na organização das escolas estaduais. Embora os sistemas da DPME não permitam detalhar diagnósticos específicos como ansiedade ou depressão de forma isolada, levantamentos anteriores da própria diretoria dimensionam o tamanho da ausência em sala de aula.

Entre janeiro e setembro de 2025, o total de licenças acumulou mais de 900 mil dias de afastamento em nove meses, com uma média de 35 dias de licença para cada caso concedido.

A concentração dos casos reflete o tamanho da rede de ensino no estado:

  • Região Metropolitana de São Paulo: 13.534 afastamentos (52,7% do total estadual em período anterior de 2025)
  • Campinas: 3.356 registros
  • São José dos Campos: 1.582 registros
  • Santos: 1.434 registros
  • Sorocaba: 1.351 registros

A necessidade de prevenção e valorização docente

Para o presidente do Centro do Professorado Paulista (CPP), Silvio dos Santos Martins, as estatísticas comprovam que a questão exige políticas permanentes e estruturais, indo muito além do suporte prestado após o adoecimento do profissional.

"Quando chegamos a dezenas de milhares de afastamentos em apenas um ano, precisamos entender que há um alerta importante sendo dado. O professor precisa encontrar condições para exercer sua profissão sem que o trabalho represente um processo contínuo de desgaste", pontua o presidente do CPP.

Entre os principais fatores apontados por especialistas e entidades de classe no cotidiano docente estão a sobrecarga de tarefas administrativas e pedagógicas, as cobranças por resultados, a necessidade de adaptação constante e situações de vulnerabilidade ou violência no ambiente escolar.

Em meio às discussões sobre bem-estar e prevenção ao suicídio, o Centro do Professorado Paulista defende que o cuidado com a integridade psicológica dos professores seja tratado como eixo central da valorização profissional, combinando ambientes de trabalho adequados, escuta ativa, acolhimento e suporte especializado nas unidades de ensino do estado de São Paulo.

Em um mês marcado pela mobilização do Setembro Amarelo e pela ampliação do debate sobre saúde mental e prevenção, dados obtidos pelo Centro do Professorado Paulista (CPP) chamam atenção para uma realidade enfrentada diariamente por quem está em sala de aula. Professores efetivos da rede estadual de São Paulo tiveram 33.309 afastamentos favoráveis relacionados a transtornos mentais e comportamentais em 2025, segundo informações da Diretoria de Perícias Médicas do Estado de São Paulo (DPME).

O número representa uma média de aproximadamente 91 afastamentos por dia ao longo do ano. E os registros continuam em 2026: somente entre janeiro e março, a DPME contabilizou 6.256 afastamentos, cerca de 69 diariamente.

Os dados abrangem ocorrências enquadradas no Capítulo V da Classificação Internacional de Doenças (CID-10), códigos F00 a F99, referente aos transtornos mentais e comportamentais. A DPME informa, no entanto, que seus sistemas não permitem consolidar os números por diagnóstico específico. Dessa forma, não é possível determinar quantos afastamentos estão relacionados, por exemplo, a quadros de ansiedade, depressão ou outros transtornos.

Para o presidente do Centro do Professorado Paulista (CPP), professor Silvio dos Santos Martins, os números evidenciam a necessidade de olhar para a saúde mental dos educadores de maneira permanente, e não apenas quando o profissional já precisa deixar a sala de aula.

“Quando chegamos a dezenas de milhares de afastamentos em apenas um ano, precisamos entender que há um alerta importante sendo dado. O professor precisa encontrar condições para exercer sua profissão sem que o trabalho represente um processo contínuo de desgaste. Cuidar da saúde mental também significa discutir condições de trabalho, valorização, respeito e suporte para quem está diariamente dentro das escolas”, afirma Martins.

Mais de 900 mil dias de afastamento em nove meses

Um levantamento anterior da própria DPME dimensiona também o impacto desses afastamentos sobre a rotina das escolas. Entre janeiro e setembro de 2025, os 25.699 afastamentos registrados naquele período corresponderam a 911.634 dias de licença, uma média de aproximadamente 35 dias para cada afastamento concedido.

A Região Metropolitana de São Paulo concentrava mais da metade das ocorrências, com 13.534 afastamentos, equivalentes a 52,7% do total estadual naquele período. Na sequência aparecem Campinas, com 3.356 registros; São José dos Campos, com 1.582; Santos, com 1.434; e Sorocaba, com 1.351.

Para o CPP, a distribuição dos casos por diferentes regiões reforça que a discussão sobre saúde mental dos docentes precisa fazer parte das políticas educacionais em todo o estado.

“Não podemos naturalizar que adoecer faça parte da profissão. A escola precisa ser um ambiente saudável não apenas para os estudantes, mas também para os profissionais que sustentam diariamente seu funcionamento. É necessário pensar em prevenção, acompanhamento e, principalmente, nas causas que têm levado tantos professores ao afastamento”, acrescenta Silvio.

Saúde mental precisa ser tratada antes do afastamento

Embora os números da DPME não permitam identificar individualmente os transtornos responsáveis pelos afastamentos, o CPP avalia que os dados ajudam a dimensionar uma questão que vai além do atendimento ao profissional depois que o adoecimento já ocorreu.

Entre os desafios presentes no cotidiano docente estão a sobrecarga de trabalho, as múltiplas responsabilidades assumidas dentro e fora da sala de aula, situações de violência no ambiente escolar, cobranças por resultados, dificuldades estruturais e a necessidade constante de conciliar demandas pedagógicas e administrativas.

Neste Setembro Amarelo, o CPP defende que a promoção da saúde mental dos profissionais da educação seja compreendida como uma política permanente de valorização docente, com ambientes de trabalho adequados, acolhimento, acesso a acompanhamento especializado e medidas capazes de prevenir o agravamento de situações de sofrimento psíquico.

“A prevenção começa muito antes de uma licença médica. Ela passa pela escuta do professor e pela construção de condições para que esse profissional consiga trabalhar com dignidade. Valorizar quem ensina também é cuidar de quem cuida diariamente da formação de milhares de estudantes”, conclui o presidente do CPP.

Fonte: Band.
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