Os conflitos na região do Oriente Médio provocaram altas no preço do petróleo em todo o mundo e, no Brasil, o preço do diesel alcançou R$ 7,17 por litro nesta segunda quinzena de março. De acordo com dados do Monitor de Preços de Combustíveis da Veloe, em parceria com a Fipe, a subida foi íngreme em um curto espaço de tempo. No período anterior ao agravamento da crise, em 28 de fevereiro, o combustível era comercializado, em média, a R$ 6,06.
Os números mostram que as medidas de contenção ainda não foram suficientes para frear o avanço nas bombas:

Embora gasolina e etanol também tenham registrado alta, o impacto foi mais sutil. A gasolina comum subiu de R$ 6,37 para R$ 6,64, enquanto o etanol variou de R$ 4,74 para R$ 4,78.
Para André Turquetto, CEO da Veloe, o diesel é naturalmente mais sensível a crises externas. "O diesel é um dos derivados mais impactados por movimentos do petróleo, especialmente em cenários de tensão geopolítica", explica o executivo.
Reajuste da Petrobras
Para tentar suavizar o impacto ao consumidor e ao setor de transportes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um decreto que zera as alíquotas de PIS e Cofins sobre a importação e comercialização do diesel. Além disso, foi editada uma medida provisória para subsidiar produtores e importadores. O Ministério da Fazenda projeta que essas ações podem reduzir o valor final em até R$ 0,64 por litro.
No entanto, o alívio tributário enfrenta a contrapressão do mercado. A Petrobras aplicou um reajuste de R$ 0,38 no litro do diesel vendido às distribuidoras a partir de 14 de março. Considerando a mistura obrigatória de biodiesel, estima-se que o impacto real nos postos seja de R$ 0,32, encerrando um ciclo de estabilidade que vinha sendo mantido pela estatal.