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Polícia desarticula 'escritório do crime' de facções brasileiras na Bolívia
Band TV

Uma operação da polícia boliviana desarticulou um centro operacional utilizado por lideranças das maiores facções criminosas do Brasil em Santa Cruz de la Sierra. A ação localizou esconderijos de luxo e bases armadas em propriedades rurais, resultando na prisão de figuras-chave do narcotráfico que utilizavam o país vizinho como refúgio e escritório para o crime organizado.

Entre os detidos está Francisco Anísio, apontado pelas investigações como segurança do megatraficante uruguaio Sebastián Marset. Anísio aparece em registros de vídeo em frente a uma bandeira do Primeiro Comando da Capital (PCC), reforçando os laços entre grupos transnacionais.

Em uma fazenda na região de Jorochito, a poucos quilômetros de Santa Cruz, as autoridades descobrem uma logística de guerra, com armas e drogas ocultadas em tambores plásticos enterrados em um bunker em meio à vegetação.

Lideranças da Bahia e lavagem de dinheiro

Em outra frente da ofensiva policial, as autoridades chegaram a Kléber Nóbrega Pereira, conhecido como "Kekéu", apontado como líder do Comando Vermelho na Bahia. O suspeito, que coordenava operações no bairro Engenho Velho, em Salvador, vivia em uma residência de luxo avaliada em R$ 6 milhões em território boliviano. De acordo com as informações, ele gerenciava o envio de armamentos e entorpecentes para estados como Rio de Janeiro e Pernambuco.

Ao lado de Pereira, a polícia prendeu sua esposa, Micaely Santos Silva. A investigação indica que ela atuava como o braço financeiro da organização, sendo responsável pela articulação de esquemas de lavagem de dinheiro para dar aparência lícita aos recursos obtidos com o tráfico internacional. O casal e Francisco Anísio permanecem sob custódia da Interpol e aguardam os trâmites para a extradição ao Brasil.

O histórico de Santa Cruz de la Sierra no crime organizado

A região de Santa Cruz de la Sierra consolidou-se como um ponto estratégico para o crime brasileiro devido à facilidade de circulação com documentos falsos e indícios de corrupção de agentes públicos. O Brasil Urgente acompanha há anos essa movimentação, que já incluiu a passagem de nomes como Marcos Roberto de Almeida, o "Tuta". Substituto de Marcola nas ruas, Tuta foi detido na mesma cidade boliviana enquanto tentava renovar identificações fraudulentas, contando, na época, com o suporte de um major da polícia local.

Outro caso emblemático citado é o de Sérgio Luiz de Freitas, o "Mijão", que viveu quase uma década na Bolívia como um cidadão comum. A rede de proteção e o estilo de vida discreto de lideranças criminosas na região têm sido o foco de operações conjuntas entre as forças de segurança sul-americanas. Com as recentes prisões, a polícia acredita ter atingido um núcleo vital da logística que abastece o mercado global de drogas.

Fonte: Band.
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