A Polícia Federal (PF) concluiu o laudo pericial sobre o acidente do voo 2283 da VoePass, ocorrido em 9 de agosto de 2024, em Vinhedo (SP). O documento revela que a tripulação perdeu uma janela crucial de apenas 20 segundos que poderia ter evitado a queda da aeronave e a morte de todas as 62 pessoas a bordo.
Segundo os peritos criminais, esse foi o tempo exato que separou o alerta de emergência "Increase Speed" (aumentar velocidade) do momento em que o avião entrou em um "parafuso chato", um movimento giratório sem controle em direção ao solo. Durante esse intervalo, se a tripulação tivesse executado os procedimentos de memória previstos para gelo severo — como aplicar potência máxima (MCT) e iniciar uma descida imediata — a perda de controle poderia ter sido evitada.
O relatório detalha que os pilotos não reagiram a tempo porque mantiveram o foco de atenção voltado para tarefas rotineiras, como comunicações com o despacho em Guarulhos e a preparação de checklists para o pouso. Por estarem alheios à gravidade dos avisos do sistema de monitoramento de performance (APM), a aeronave saiu do seu envelope seguro de voo, tornando a recuperação inviável na altura restante.
A investigação confirmou que o avião enfrentava condições severas de gelo e que o sistema pneumático de degelo apresentava falhas recorrentes, registradas como "Airframe Fault" nos computadores de bordo. Em um dos diálogos gravados, o piloto desabafa, referindo-se ao equipamento:
"Essa b**** não tá funcionando, né?
Além disso, o laudo aponta que a aeronave nem deveria ter decolado, pois estava com os limpadores de para-brisa inoperantes e havia previsão de chuva no destino, o que desrespeitava as normas de segurança da própria companhia.
Diferente do relatório da Força Aérea Brasileira (CENIPA), que possui caráter estritamente preventivo e não aponta culpados, este documento da Polícia Federal possui caráter criminal. Ele foi elaborado para subsidiar o Inquérito Policial que busca identificar responsáveis e apurar possíveis crimes relacionados à tragédia.
O laudo conclui que a causa do acidente foi a combinação do acúmulo de gelo, a falha do sistema de degelo e a demora da tripulação em agir de forma rápida diante da emergência.