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PF aponta que Vorcaro sabia de operação e detalha suspeita de fuga
A Polícia Federal apontou que o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, sabia da operação Compliance Zero, que o prendeu pela primeira vez em novembro de 2025. Ele planejou a fuga um dia antes da prisão.

Segundo o relatório, todos os indícios de que vorcaro tinha ciência da operação policial “reforçam a tese de fuga, sendo improvável que sua viagem ao exterior, na noite imediatamente anterior à data do cumprimento dos mandados, seja mera coincidência”.

A informação consta em documento que teve o sigilo derrubado pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), na noite desta quinta-feira (10). A decisão atendeu ao pedido do presidente da Corte, ministro Edson Fachin.

As articulações de Daniel Vorcaro nos dias anteriores à data para a deflagração da operação Compliance Zero, especialmente no dia anterior (17 de novembro de 2025), podem ser assim sintetizadas, segundo a PF:

21/10/2025: Daniel Bueno Vorcaro registra, no aplicativo “Notas”, os nomes de representantes da Polícia Federal que participaram de reunião reservada com o Banco Central, indicando acesso antecipado a informações reservadas;

16/11/2025: Dois dias antes da operação, Vorcaro registra nova nota perguntando sobre eventual proximidade de terceiro com o juiz federal Ricardo Soares Leite, responsável por autorizar medidas contra ele. Como o inquérito era sigiloso, isso reforça a suspeita de vazamento de informações;

17/11/2025 (manhã): Um dia antes da deflagração da operação, Vorcaro recebe, às 07h28min, mensagens urgentes de seu advogado, WALFRIDO WARDE. Após isso, muda seus planos e, às 08h48min, informa que agendaria voo saindo de Congonhas;

17/11/2025 (07h41min em diante): Vorcaro conversa com um jornalista sobre reportagem que seria publicada; após as 11h, recebe o link da matéria e o repassa imediatamente a Warde. A reportagem menciona a existência de inquérito na 10ª Vara Federal de Brasília;

17/11/2025: Warde protocola petição na 10ª Vara Federal do DF, pedindo acesso ao conteúdo da investigação, citando expressamente a reportagem como fonte da informação. Ao longo do dia, ele e Vorcaro seguem tratando do assunto, com insistência sobre contato com o juiz do caso;

17/11/2025: Também nesse dia, surgem elementos de que Vorcaro divulgou à imprensa a notícia de que o Grupo Fictor teria interesse na aquisição do Banco Master;

17/11/2025 (desde 06h34min): Vorcaro mantém contato com servidores do Banco Central, Paulo Sérgio e Belline. Depois, eles consideram “fundamental” que ele fale com o diretor do BC, Ailton Aquino;

17/11/2025 (início da tarde): A reunião é articulada para o próprio dia. Vorcaro propõe 13h; Paulo Sérgio confirma 13h15min; e Belline envia o link às 13h35min. Depois da reunião, circula reportagem sobre a venda do Banco Master ao Fictor, sem surpresa dos servidores, sugerindo alinhamento prévio;

Noite de 17/11/2025: As forças policiais interceptam Vorcaro no aeroporto de Guarulhos/SP, quando ele estava prestes a embarcar em jato particular com destino final aos Emirados Árabes;

18/11/2025: É oficialmente deflagrada a operação policial COMPLIANCE ZERO – fase I, após decisão judicial favorável aos pedidos da Polícia Federal.

Para a Polícia Federal, toda a dinâmica revela que Daniel Vorcaro tomou conhecimento prévio da futura operação, por meios ilícitos, “seja através de servidores do BC, seja através de contato proveniente de WALFRIDO WARDE. Então, passa a atuar em prol de sua defesa, visando frustrar a efetividade da atuação policial”.

Daniel Vorcaro foi preso em 17 de novembro do ano passado e solto dias depois após decisão do Tribunal Federal da 1ª Região. No habeas corupus, um dos argumentos utilizados, favoráveis à liberdade do dono do Banco Master, foi o teor de uma reunião realizada com o Banco Central.

“O panorama fático ora delineado desconstrói a tese da defesa, demonstrando que Daniel Vorcaro, na verdade, ciente da futura e iminente atuação policial, se utiliza de servidores do Banco Central que lhe são subalternos (em razão do pagamento de vantagens indevidas) para forçar uma reunião virtual, no dia imediatamente anterior à operação policial. O documento utilizado pela defesa para fundamentar a tese contrária à fuga do investigado é uma Informação, assinada por Paulo Sérgio Neves de Souza, na qualidade de chefe adjunto do Desup”, diz o relatório.

Conforme a Polícia Federal, a reunião não foi gravada, nem seu conteúdo registrado por ata.

“Diante de todo o exposto, conclui-se pela existência de fortes elementos indicativos de condutas de DANIEL VORCARO e associados direcionadas a proteger o núcleo dirigente da organização criminosa, mediante conhecimento antecipado de atos processuais e articulações com interlocutores em órgãos de controle, ao lado de planejamento logístico para saída do país em janela próxima à deflagração de medidas, o que, somado às comunicações com autoridades e ao acompanhamento de procedimentos internos, compõe o retrato dos “tentáculos” em estruturas públicas e privadas”.

Fonte: Band.
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