Cinco brasileiros suspeitos de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e com o tráfico internacional de drogas e armas foram presos pela polícia no Paraguai, durante uma operação realizada em imóveis de alto padrão. Três dos detidos já estavam foragidos da Justiça brasileira por crimes como homicídio, sequestro e tráfico de entorpecentes.
A ação policial mirou residências de luxo utilizadas pelos suspeitos no país vizinho. Para ter acesso a um dos locais alvos da operação, os policiais precisaram arrombar o portão e a porta principal do imóvel. No local, os agentes apreenderam um amplo arsenal composto por dois fuzis, espingardas, pistolas semiautomáticas, mira telescópica, carregadores e diversas caixas de munição intacta.
Cirurgias para mudar aparência
Entre os presos na ação está Douglas Fernando de Jesus Hartkoff. De acordo com as investigações policiais, o suspeito passou por procedimentos de cirurgia plástica no rosto para mudar a fisionomia e evitar o reconhecimento pelas autoridades.
Além das alterações faciais, o homem realizou uma cirurgia de alargamento nas pernas para modificar a própria estatura original. Conhecido pelo apelido de Anão, ele estava com mandado de prisão preventiva em aberto por homicídio qualificado.
O crime atribuído a Hartkoff ocorreu em novembro do ano passado, em Curitiba. Na ocasião, ele e comparsas armados se disfarçaram com uniformes de agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) para sequestrar, torturar e matar um homem de 27 anos por vingança.
Rota estratégica do tráfico
As autoridades paraguaias avaliam os próximos passos jurídicos para os cinco detidos. O Ministério Público do Paraguai analisa se o grupo será submetido a um processo de expulsão direta para o Brasil ou se responderá a processos locais por violação da lei de armas de fogo. As prisões de integrantes de facções brasileiras em território paraguaio são recorrentes devido à posição geográfica do país vizinho, considerado estratégico na logística do narcotráfico internacional.
A rota utilizada pelo crime organizado envolve o transporte da cocaína produzida na Bolívia, que passa pelo território paraguaio antes de cruzar a fronteira com o Brasil. A partir dos centros de distribuição brasileiros, grandes remessas do entorpecente são enviadas para o mercado europeu por meio de portos e aeroportos.