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Patrocínios de bets representam 7,9% das receitas dos clubes da Série A
Lucas Figueiredo/CBF

As casas de apostas responderam por 7,9% das receitas dos clubes da Série A do Campeonato Brasileiro em 2025. Os patrocínios do setor movimentaram R$ 1,14 bilhão no período, segundo os balanços financeiros das equipes.

O peso das bets no futebol ganha outra dimensão após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinar, nesta sexta-feira (25), a medida provisória que proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa no Brasil. A decisão inclui apostas esportivas e jogos online.

As empresas têm até 5 de outubro para retirar materiais publicitários e sinais de patrocínio. Os apostadores também poderão sacar voluntariamente os valores disponíveis nas plataformas até as 23h59 da mesma data. A partir de 6 de outubro, sites e aplicativos deverão sair do ar.

Bets estão em 14 clubes da Série A

O impacto da medida atinge diretamente o futebol brasileiro. Atualmente, empresas do segmento ocupam o espaço de patrocinador máster de 14 dos 20 clubes da Série A de 2026.

O número é menor do que o registrado em 2025, mas o setor mantém presença relevante no esporte. Os investimentos também passam por competições, naming rights de estádios, transmissões de televisão e placas publicitárias.

Somados, os 20 clubes que disputaram o Brasileirão em 2025 faturaram R$ 14,9 bilhões. Desse total, R$ 1,14 bilhão veio de contratos de patrocínio com casas de apostas.

Corinthians lidera dependência entre os clubes

Quatro equipes da Série A de 2025 receberam das bets valores equivalentes a mais de 10% de suas receitas: Corinthians (17,3%), Flamengo (12,71%), Sport (12,64%) e Juventude (10,49%).

No Corinthians, o contrato com a Esportes da Sorte prevê R$ 150 milhões anuais. O valor representou 17,3% dos R$ 863,68 milhões arrecadados pelo clube no último exercício.

O clube paulista já havia mantido contratos com outras duas empresas do setor desde dezembro de 2022, entre elas a Vai de Bet, posteriormente alvo de investigação do Ministério Público.

Flamengo, São Paulo, Santos e Palmeiras

O Flamengo também está entre os clubes com maior participação das bets no faturamento. Nesta sexta-feira, a diretoria se posicionou contra a decisão do governo e argumentou que a mudança terá efeitos sobre o esporte e a economia.

Em entrevista à CNN Brasil, o presidente Luiz Eduardo Baptista estimou perdas entre R$ 400 milhões e R$ 430 milhões em receitas para 2027.

"A gente estima que as perdas imediatas de receita para o ano que vem sejam de R$ 400 milhões a R$ 430 milhões e, sem um preparo prévio, é absolutamente impossível que você consiga estancar essa sangria", afirmou Bap.

No São Paulo, a Superbet pagou R$ 80 milhões em 2025, montante equivalente a 7,48% do faturamento de R$ 1,07 bilhão. O clube mantém acordos com empresas de apostas desde 2019. A atual patrocinadora ocupa a camisa desde dezembro de 2023 e elevou o aporte para R$ 95 milhões em 2026.

O Santos recebeu R$ 51 milhões da 7k em 2025, cerca de 8% de uma receita total de R$ 573,6 milhões. Para 2026, o clube fechou contrato de R$ 35 milhões com a Novibet.

Já o Palmeiras assinou seu primeiro acordo com uma casa de apostas em janeiro de 2025. O contrato com a Sportingbet prevê R$ 120 milhões anuais, valor que correspondeu a 6,93% dos R$ 1,73 bilhão arrecadados pelo clube naquele exercício.

Setor prepara reação na Justiça

Segundo apuração do Estadão com executivos e fontes ligados ao mercado, empresas de apostas pretendem recorrer à Justiça contra a medida provisória, sob o argumento de que a proibição é inconstitucional.

A decisão do governo também encontra apoio entre parte significativa da população. Pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta semana apontou que 75% dos brasileiros apoiam a proibição das bets, enquanto 17% são contrários.

O mercado havia sido regulamentado pela Lei nº 14.790, sancionada no fim de 2023. Antes da nova MP, 85 empresas atuavam no ambiente regulado, após o pagamento de R$ 30 milhões por autorização válida por cinco anos.

Receitas crescem, mas dívidas também avançam

O debate acontece em um momento de crescimento das receitas do futebol brasileiro. Segundo levantamento da EY, os 20 clubes do Brasileirão de 2025 arrecadaram R$ 14,9 bilhões, alta de 33% em relação ao ano anterior.

Entre 2021 e 2025, o avanço acumulado chegou a 73%.

O endividamento acompanhou esse movimento. No mesmo intervalo, as dívidas cresceram 46% e alcançaram R$ 14,3 bilhões. Houve queda de 3% entre 2022 e 2023, seguida por novas altas nos anos seguintes.

Clubes já haviam se manifestado contra a proposta quando o governo discutia restringir apenas os cassinos online.

Com Agência Estado

Fonte: Band.
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