Uma das passarelas que dá acesso à Garganta do Diabo, no lado argentino das Cataratas do Iguaçu, começou a ser desmontada por conta das cheias e dos efeitos do fenômeno climático El Niño. A medida tem caráter preventivo para evitar danos estruturais graves à atração, provocados pelo volume e pela força das águas.
De acordo com o comunicado da concessionária responsável pelo Parque Nacional del Iguazú, na Argentina, apenas o Circuito Garganta do Diabo está suspenso a partir desta semana. Todos os demais caminhos e mirantes do parque do lado vizinho continuam abertos e funcionando normalmente para os visitantes.
Estrutura sobre o leito do Rio Iguaçu
A estrutura da passarela argentina fica instalada diretamente sobre o leito do Rio Iguaçu, o que a torna mais suscetível ao impacto do grande volume de água durante os períodos de vazão elevada. Como os episódios de cheia devem se intensificar nos próximos meses por influência do El Niño, a concessionária optou por retirar os trechos móveis.
A previsão oficial das autoridades argentinas é que a passarela seja totalmente reaberta para o público apenas no mês de dezembro.

Liberação de passeios no lado brasileiro
No lado brasileiro do Parque Nacional do Iguaçu, as passarelas que haviam sido temporariamente interditadas — após o fluxo de água atingir um nível seis vezes superior à média normal — já foram reabertas ao público para visitação.
Além disso, a concessionária Macuco Safari retomou as operações dos passeios de barco no Rio Iguaçu. As atividades estavam suspensas desde a semana anterior devido a um acidente que resultou na morte de um turista de nacionalidade holandesa, ocorrido quando uma das embarcações virou durante o trajeto.
Fiscalização e medidas de segurança
A liberação das embarcações ocorreu após vistorias do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que avaliou os procedimentos de segurança e o cumprimento dos protocolos operacionais da concessionária. A Marinha do Brasil também informou que as embarcações e as operações da empresa estão em conformidade com as normas exigidas pela legislação.
Em depoimentos à Polícia Civil, que investiga se houve falha na condução ou na estrutura do passeio, sobreviventes do acidente relataram ter recebido coletes salvação, mas afirmaram que faltaram instruções claras sobre os procedimentos de emergência antes do embarque.
O gerente da Macuco Safari, Paulo Ricardo de Córdova, afirmou que a empresa aproveitou a paralisação temporária para reforçar os treinamentos das equipes. "Fizemos a reciclagem de alguns treinamentos e procedimentos de segurança. São ações realizadas ao longo de todo o ano, mas aproveitamos o período sem operação para antecipar essas capacitações", explicou.
As investigações da Polícia Civil sobre as causas do acidente continuam em andamento.