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O que é a Doutrina Monroe, retomada por Trump para dominar Américas
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu, nesta terça-feira (11), retomar a Doutrina Monroe como medida de política externa do país. O intuito é conter alianças e influências de nações consideradas inimigas, como Irã, Rússia e China, ao mesmo tempo em que visa reforçar domínio em outros Estados, sobretudo na América Latina.

O renascimento da Doutrina Monroe foi oficializada em um vídeo divulgado pelo Departamento de Estado que endossa a medida. O movimento integra uma tentativa de reafirmar o domínio predominante de Washington no continente. Segundo o vídeo que anuncia a retomada da estratégia, o intuito é que o domínio do país em todo o continente americano "nunca mais seja questionado". Definiu ainda que a política é a "pedra angular" da estratégia para dominar as três Américas.

O vídeo diz isso em referência às candidaturas de direita à presidência em países latino-americanos como Colômbia, Argentina e Chile. Posteriormente, os candidatos endossados publicamente por Trump foram eleitos. O vídeo ainda cita a captura de Nicolás Maduro, em janeiro, como um exemplo da aplicação da doutrina no continente. O presidente da Venezuela e a primeira-dama, Cilia Flores, estão presos em Nova York. Maduro responderá por acusações de narcoterrorismo.

Vem da Doutrina Monroe a noção de que "a América Latina é o quintal dos Estados Unidos", alegação que, nos últimos meses, tem sido negada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao se impor contra tentativas de interferência do governo Trump no Brasil e em outros países do bloco.

Entenda o que é a Doutrina Monroe

A Doutrina Monroe é uma política externa assinada no início do século XIX. Foi promulgada em 1823 pelo presidente norte-americano James Monroe e tinha como mote "América para os americanos".

O objetivo era conter o avanço de uma nova influência europeia em países ocidentais e reafirmar o domínio do país nas Américas. Depois, passou a ser implementada na tentativa de expansão territorial e de operações militares para controle de fronteiras e rotas marítimas.

A doutrina foi promulgada num momento em que países da América Latina estavam proclamando a independência dos países europeus. Ela seguia os preceitos do Destino Manifesto, que colocava os Estados Unidos como uma nação "escolhida por Deus para liderar as nações americanas". A lógica era igualmente colonial e ajuda a explicar, por exemplo, a retórica de que "a América Latina é o quintal dos Estados Unidos". Esse pressuposto ideológico é o que norteia a lógica por trás da Doutrina Monroe.

Com a instauração da Doutrina Monroe, os Estados Unidos se comprometeram a não interferir em questões internas nos países latino-americanos que eram colônias da Europa naquele período.

Ao longo dos anos, a medida reapareceu para justificar intervenções militares dos Estados Unidos em países latino-americanos (e defender uma soberania nacional e ideológica?) e no Ocidente. Foi o caso, por exemplo, das ditaduras ocorridas no Brasil, Chile e Argentina, que tiveram forte investimento do país norte-americano.

O vídeo cita, por exemplo, que a doutrina foi crucial para apoiar o Panamá a uma independência da Colômbia para, então, construir, operar e defender o Canal do Panamá. Também diz que foi aplicada em 1962, durante a crise dos mísseis de Cuba, acionada por John F. Kennedy depois de descobrir que havia mísseis soviéticos na ilha.

Doutrina Monroe foi extinta em 2013

Em 2013, o secretário de Estado dos Estados Unidos do governo Obama, John Kerry, proclamou no encontro daquele ano da Organização dos Estados Americanos (OEA) que "a Doutrina Monroe está morta". A fala foi recebida com aplausos em pé por representantes de países latino-americanos e caribenhos.

O argumento dele é que a relação de intervenção dos Estados Unidos nestes países estava defasada e que as nações deveriam se ver "como iguais", cooperando em assuntos de segurança e desenvolvimento e tomando decisões "conjuntamente".

Mas mesmo a proclamação do "fim" da doutrina é vista de maneira controversa.

Além disso, a fala foi vista de maneira crítica por norte-americanos que estavam alinhados à doutrina. Uma das falas mais emblemáticas era de Pete Hegseth, atual Secretário da Defesa do governo Trump, que afirmou, em abril de 2025, à Fox News, que os Estados Unidos deveriam recuperar a "influência de seu quintal" que, nas palavras dele, foi "perdida" para a China — que naquele ano era o segundo país que mais transportou carga pelo canal, atrás dos Estados Unidos. À época, ele se referia ao conflito entre o governo Trump e o Panamá pelo controle do canal.

Como é a nova Doutrina Monroe

Por ter sido revivida por Trump, a nova medida foi apelidada pelo The New York Times como "Doutrina Donroe" (mescla entre Monroe e Donald). O interesse de Trump é o de restaurar o poder de Washington após "anos de negligência", segundo definido pelo governo.

Desta maneira, os Estados Unidos devem barrar a capacidade de concorrentes externos, como China, Irã e Rússia, de posicionarem forças militares ou controlarem ativos vitais no continente. A ideia é conter o avanço destes países, que ameaçam a soberania estadunidense, mas também reafirmar a influência do país num momento em que a soberania dos os Estados Unidos está fragilizada.

A retomada da doutrina é focada no realinhamento militar na América Latina, seguindo pilares de ampliação da presença da Guarda Costeira e da Marinha para controlar rotas marítimas, combater o fluxo migratório (sobretudo o que o país considera "ilegal") e reduzir o tráfico de pessoas e de drogas; bem como reforçar a proteção de fronteiras, intensificar o combate aos cartéis de droga (inclusive permitindo o uso de força letal em casos específicos) e estabelecer ou ampliar o acesso dos Estados Unidos a localizações tidas como estratégicas na América Latina.

Avanço de Trump na América Latina

A aplicação da Doutrina Monroe entra no embalo de diversas medidas intervencionistas adotadas por Trump contra países latino-americanos. No caso do Brasil, são exemplos o tarifaço, a atual crise diplomática entre os dois países e as tentativas de intervenção nas eleições presidenciais neste ano.

O interesse é aproximar as nações por meio da economia e de apoio em acordos comerciais. Com isso, governos alinhados ideológica, política e economicamente aos Estados Unidos seriam recompensados.

Atualmente, a América Latina vive o que a direita chama de "Onda Azul", em referência às recentes eleições de presidentes e governos de direita e extrema-direita. Trump endossou publicamente a candidatura de presidentes como Javier Milei na Argentina, Abelardo de la Espriella na Colômbia e José Antonio Kast no Chile.

O objetivo principal, segundo especialistas, é o de priorizar o controle de rotas marítimas, a segurança de fronteiras e o acesso a terras raras e minerais críticos — outro polo econômico no qual os Estados Unidos têm interesses no Brasil.

Fonte: Band.
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