Imagens divulgadas nesta segunda-feira (8) mostram que a região ao redor da ponte que desabou no interior do Acre, na última sexta-feira (5), já apresentava extensas rachaduras e sinais de movimentação do solo horas antes do colapso da estrutura. Os vídeos foram compartilhados pela Construtora Cidade, responsável pelas obras da ponte.
Segundo a empresa, a vistoria foi realizada por equipes técnicas por volta das 10h da manhã do dia do acidente, cerca de sete horas antes do desabamento.
Nos registros, é possível notar fissuras abertas no terreno, desníveis e áreas sinalizadas em branco, demarcadas com cal. Segundo a construtora, as marcações foram feitas para facilitar a identificação dos pontos de instabilidade durante inspeções aéreas e levantamentos fotográficos realizados pelos técnicos.
De acordo com a empresa, os levantamentos preliminares identificaram movimentações significativas do solo em uma área estimada em aproximadamente 16 mil metros quadrados, abrangendo terrenos e áreas urbanas próximos à ponte.
A construtora afirma que os primeiros sinais de instabilidade começaram a ser observados cerca de uma semana antes do acidente e se agravaram nos dias que antecederam o desabamento, com o surgimento de rachaduras, movimentações de terra e afundamentos em diferentes pontos da região.
Construtora cita fenômeno de “terras caídas”
Com base nos levantamentos técnicos, a construtora diz ter encaminhado ao Deracre (Departamento de Estradas de Rodagens do Acre), na tarde de quinta-feira (4), uma recomendação formal para a interdição total da ponte, inclusive para pedestres.
Nas notas divulgadas após o acidente, a empresa diz que as avaliações preliminares apontaram indícios compatíveis com um fenômeno conhecido como “terras caídas”, caracterizado pelo deslocamento de grandes massas de solo provocado por processos erosivos e pela dinâmica natural dos rios amazônicos.
A construtora afirma que a ocorrência desse fenômeno teria sido um dos fatores que motivaram o pedido de interdição da estrutura.
Vítimas seguem internadas e caso é investigado
A ponte Padre Paolino Baldassari desabou no início da noite da última sexta-feira (30). Inaugurada há cerca de dois anos e meio, a obra custou mais de R$ 36 milhões. Quatro pessoas ficaram feridas.
Segundo atualização divulgada pela Sesacre nesta segunda-feira (8), Ednaldo Muniz dos Santos, de 54 anos, permanece internado em estado grave na UTI do Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb), mas apresenta sinais de melhora clínica.
Outros dois feridos, Antônio Morais Lima Filho, de 36 anos, e Edinei Muniz dos Santos, de 51 anos, seguem internados com quadro estável após passarem por cirurgias ortopédicas. A quarta vítima recebeu alta ainda no fim de semana.
Após o desabamento, o governo do Acre ingressou na Justiça para responsabilizar a construtora. O Estado alega que a empresa continua responsável pela segurança da obra durante o período de garantia contratual.
A Justiça determinou que a construtora apresente um plano de assistência às famílias afetadas, realize novas vistorias técnicas e adote medidas emergenciais para reduzir os riscos na área atingida.
A empresa afirma que continua colaborando com as perícias e que aguarda a conclusão dos estudos técnicos para se manifestar sobre as causas do colapso.