Léo Stuart, guitarrista do Tihuana que processa Simone Mendes e pede R$ 1,3 milhão para a sertaneja, alega na Justiça que sofre com depressão por conta do desabamento de um muro da sertaneja na casa dele em Alphaville, em Barueri, na Grande São Paulo. O caso ocorreu em novembro de 2024, mas o processo ainda segue na Justiça paulista, quase dois anos depois.
A Band teve acesso ao processo, que está sendo analisado pela Justiça de São Paulo. Segundo os autos, a propriedade, pertencente à empresa Black Diamond Holding, administrada por Léo Stuart, sofreu com uma enxurrada de detritos e lama decorrentes de uma obra no imóvel vizinho, construído por Simone Mendes, após uma intensa chuva em novembro de 2024.
Em entrevista para o Band Entretê, o advogado de Léo Stuart, Marcelo Fernandes Madruga, o desabamento fez com que o guitarrista ficasse 'desgostoso' de morar no local e até entrou em depressão. "Ele está tomando remédio para depressão, tem laudo médico e tudo mais, ele ficou abalado, falava para mim que ele ficava ali na área que sofreu a enxurrada, a empregada ficava no espaço ali com os cachorros, ficava ali no pomar", lamenta.
Segundo Marcelo, a área da piscina e jacuzzi foi interditada, o pomar destruído e a vontade de estar no local acabou. "Por sorte o cães estavam em casa e fora do canil, senão tinha matado todos os animais lá e por sorte não tinha ninguém lá atrás", conta. O advogado afirma que Léo até se mudou do condomínio de luxo. "Ele comprou dois lotes em outro condomínio, onde quer mudar de lá, não quer morar em Alphaville e ainda comprou uma casa em Ibiúna, onde fica mais", afirma.
Perícia constatou culpa da obra de Simone Mendes
O processo só foi movido porque, segundo o advogado, nenhum integrante da equipe jurídica ou da obra de Simone Mendes entrou em contato para tentar resolver a situação extrajudicialmente. Ele ainda alega que a perícia apontou culpa de Simone Mendes no caso.
"Fizemos um boletim de ocorrência e a perícia criminal constatou que o desabamento foi por conta da falta de drenagem de águas pluviais na obra. O próprio engenheiro da obra foi representado no Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), onde admite que sabia do risco e que ele seguiu por ter um prazo", relata.
Os autos e o advogado de Léo Stuart apontam que a defesa de Simone Mendes tentou alegar que a culpa do desabamento foi da chuva muito forte e também do próprio muro do guitarrista, que estava ali há 20 anos e já sofrido com outras tempestades. A Justiça entendeu que a alegação não faz sentido.
"A própria Ré ajuizou ação antecipada de prova, julgada procedente, onde foi produzido laudo pericial com a seguinte conclusão : “Em 06/11/2024, o solo estava saturado e houve mais chuvas. O muro da Autora, como não possuía drenagem e tampouco estrutura de suporte a esforços horizontais passou a funcionar como uma barragem, exercendo esforços sobre o muro do Réu; (...) Portanto, a causa do colapso foi a construção do muro do imóvel da Autora [Simone Mendes] sem qualquer estrutura de suporte, bem como a ausência de sistema de drenagem", dizem os autos.
A Justiça ainda entendeu que a obra de Simone Mendes causou riscos de danos à saúde e à vida do vizinho. "O perigo de dano também está provado. Houve inundação com risco de proliferação de doenças, além da possibilidade de acontecer novo desmoronamento se as obras de contenção não forem iniciadas imediatamente. Tampouco há violação ao requisito da irreversibilidade da medida, antes ponderação de riscos", diz a decisão do desembargador Pedro Luiz Baccarat da Silva.
Defesa de Simone Mendes faltou em audiência de conciliação
Marcelo ainda relata que a defesa de Simone Mendes pediu por uma audiência de conciliação, mas apenas Léo e Marcelo foram para o encontro, que ocorreu em 21 de julho deste ano. "Alegamos que as provas são suficientes e pedimos que ela estabelça a multa de 2 a 6% da ação de quem não comparecesse à audiência", diz.
Agora, a Justiça deve decidir se uma nova audiência deve ser marcada, ou acatar o pedido da defesa de Léo Stuart e seguir com o julgamento do caso, que pode causar uma condenação de Simone Mendes e o pagamento de mais de R$ 1,3 milhão.
Defesa de Simone Mendes se pronuncia
À pedido da reportagem da Band, a defesa de Simone Mendes alega que o episódio do desabamento ocorreu em um período de fortes chuvas e que o ocorrido foi um incidente.
"A execução da obra foi realizada por uma empresa contratada, responsável pela condução dos trabalhos e por todas as questões relacionadas à segurança da obra. O caso está sendo discutido judicialmente e o processo segue em tramitação, sem decisão definitiva até o momento", diz a nota da equipe de Simone Mendes.