Motoristas e entregadores de aplicativos realizaram um grande protesto na manhã desta terça-feira (14), concentrando-se na Praça Charles Miller, em frente ao Estádio do Pacaembu, na zona oeste de São Paulo. O ato reúne profissionais que atuam em carros, motocicletas e bicicletas para protestar contra o projeto de lei de regulamentação do setor que tramita no Congresso Nacional.
A mobilização teve início com uma carreata que percorreu diversas ruas e avenidas da cidade antes de chegar ao Pacaembu. A concentração provocou reflexos imediatos no trânsito da região, com veículos estacionados no entorno da praça e bloqueios parciais em pistas adjacentes.
O objetivo central do movimento é barrar o texto atual do projeto de lei, que, segundo as lideranças da categoria, beneficia apenas as grandes plataformas e não os trabalhadores. Os manifestantes alegam que não foram ouvidos durante a elaboração da proposta e denunciam condições precárias de trabalho, com faixas citando "luta contra a escravidão" devido às baixas taxas repassadas pelos aplicativos e às jornadas excessivas.
A pressão surtiu efeito imediato no cenário político: a votação da proposta, que estava prevista para ocorrer hoje na Câmara dos Deputados, foi retirada da pauta em razão das manifestações em São Paulo e em outras regiões do país.
Reivindicações
Entre as principais queixas dos profissionais estão:
- Falta de diálogo: A categoria afirma que a regulamentação foi desenhada sem a participação direta de quem atua nas ruas.
- Remuneração: Críticas severas às taxas atuais, consideradas insuficientes para cobrir os custos de manutenção dos veículos e o custo de vida.
- Autonomia: O temor de que a nova lei engesse o modelo de trabalho sem oferecer as contrapartidas de proteção social desejadas.
Enquanto lideranças discursavam em megafones na Praça Charles Miller, a Polícia Militar e agentes de trânsito monitoravam o local. Apesar do impacto no tráfego, o ato seguiu sem registros de incidentes violentos.