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Morte de corredor em prova de SP reacende debate sobre regras de socorro

A morte do publicitário e atleta amador Júlio Barreto, de 50 anos, após concluir uma prova de rua em São Paulo, reacendeu o debate sobre a segurança e os protocolos de atendimento médico em eventos esportivos no país. Júlio sofria de uma parada cardíaca logo após cruzar a linha de chegada dos 21 km da SP City Marathon, realizada no último domingo.

Experiente no esporte, Júlio era ex-ciclista e praticava corridas e trilhas em montanhas desde 2021. Gerente de uma empresa multinacional na área de saúde e nutrição, o executivo foi sepultado nesta segunda-feira.

Relatos de falhas no atendimento

De acordo com a organização do evento, a Iguana Sports, o atleta apresentou perda de consciência e ausência de resposta a estímulos ao fim do percurso. Contudo, participantes e profissionais de saúde que corriam no local relataram problemas no primeiro atendimento prestado.

O médico Miguel Carvalho, que disputava a prova e tentou socorrer o publicitário, destacou a demora e a ausência de suporte médico adequado no primeiro momento:

"A primeira ambulância chegou com uma equipe de bombeiros e sem nenhum médico. A gente solicitou um DEA (Desfibrilador Externo Automático) e eles falaram que naquela ambulância não tinha. O DEA chegou ali pelo 15º minuto. São várias pequenas falhas que levam ao desfecho ruim", relatou o médico.

Por ter sido registrado como morte natural pelo Serviço de Verificação de Óbito (SVO), a Polícia Civil não instaurou inquérito policial. Em nota oficial, a organizadora do evento lamentou o falecimento do atleta, mas não se manifestou especificamente sobre os questionamentos relativos ao tempo de resposta ou à falta do desfibrilador na primeira equipe de socorro.

Vácuo legislativo e prevenção

O caso escancara a falta de uma legislação padronizada para o socorro em corridas de rua na maioria das cidades brasileiras. Atualmente, os eventos seguem apenas diretrizes gerais de segurança, sem obrigatoriedade legal uniforme quanto aos equipamentos de emergência ao longo do trajeto.

O cenário contrasta com iniciativas adotadas em outros municípios, como Porto Alegre. Após a morte de um estudante de 20 anos em uma meia maratona no ano passado, a capital gaúcha sancionou a Lei João Gabriel, que exige formulário prévio de saúde aos inscritos e obriga os organizadores a disponibilizarem ambulâncias equipadas com desfibriladores.

Diante do avanço e da popularização das corridas de longa distância, especialistas ressaltam a importância da prevenção individual aliada à estrutura das provas. O cardiologista Filippo Savioli alerta para a importância de avaliações médicas constantes, mesmo para quem já tem preparo físico:

"A primeira mensagem é respeitar e escutar o corpo. Depois disso, buscar regularmente a orientação de um cardiologista especializado para orientar quais são os exames indicados para estratificar o risco de ter um evento como uma morte súbita no esporte", destacou.

Fonte: Band.
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