Manifestantes tomaram as ruas de Assunção, capital do Paraguai, para protestar contra a quebra do Banco Ueno, apontado como o maior banco digital do país. O escândalo financeiro bilionário atinge cerca de 3 milhões de pessoas, o que representa aproximadamente 40% da população paraguaia, e já recebeu o apelido de "Master Paraguayo".
Os atos foram marcados por gritos de revolta, tumultos e confrontos com a polícia. Com as contas bloqueadas pelo fechamento da instituição determinado pelo Banco Central do Paraguai, os correntistas exigem a liberação imediata de seus recursos para arcar com despesas básicas como aluguel, alimentação e estudos.
Paralisação e semelhanças com o escândalo do Banco Master
O Banco Central paraguaio ordenou o fechamento da instituição financeira após constatar um rombo que ultrapassa R$ 4 bilhões. A investigação aponta que o crescimento acelerado e atípico do banco ocorreu por meio da concessão excessiva de crédito a empresas ligadas ao próprio grupo controlador, dinâmica que lembra o caso brasileiro envolvendo o Banco Master.
Outro ponto de contato entre os episódios é a captação de recursos. Assim como ocorreu no Brasil, a instituição paraguaia recebeu aportes expressivos de fundos previdenciários, comprometendo as reservas de aposentados.
Impacto político e medidas do governo
A crise financeira gerou forte repercussão na política nacional. O presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi alvo de denúncias por ter sido sócio, até o ano passado, de uma empresa que detinha participação no banco. Peña não respondeu diretamente às acusações e classificou a crise como um episódio isolado, enquanto partidos de oposição protocolaram um pedido de impeachment.
O desgaste político também provocou a renúncia do presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvalho. No âmbito judicial, oito executivos ligados à instituição foram presos.
Para tentar conter a insatisfação popular, o Congresso busca acelerar os mecanismos de restituição e o Banco Central acionou o fundo garantidor de depósitos. A legislação local estabelece o prazo de 15 dias para o ressarcimento, com limite de cobertura equivalente a R$ 210 mil por cliente.