A Justiça de São Paulo rejeitou o pedido de prisão preventiva apresentado pelo Ministério Público (MP-SP) contra o vice-presidente do Corinthians, Armando Mendonça. O dirigente é réu em uma ação que investiga supostas irregularidades no desvio de materiais fornecidos pela Nike ao clube.
A decisão foi proferida pela juíza Amanda Eiko Sato, da 25ª Vara Criminal do Foro Central Criminal da Barra Funda. Além de negar a prisão, a magistrada rejeitou medidas cautelares como o afastamento de Mendonça do cargo, a proibição de frequentar as dependências do Corinthians e o impedimento de contato com testemunhas e dirigentes.
O MP-SP, por meio do promotor Cássio Roberto Conserino, havia solicitado a prisão após a demissão do ex-diretor de Tecnologia, Marcelo Munhoes, responsável por apresentar elementos da acusação, alegando risco à instrução criminal. No entanto, a juíza concluiu que o desligamento foi feito pela Presidência em contexto político-eleitoral, sem evidências de que Mendonça tenha influenciado a decisão.
Pedido da defesa contra promotor também é negado
Na mesma decisão, a magistrada indeferiu o pedido da defesa de Armando Mendonça para reconhecer a suspeição do promotor Cássio Roberto Conserino. A defesa alegava parcialidade após novos fatos, como a solicitação de prisão e notas oficiais.
A juíza concluiu que as atuações do promotor inserem-se no exercício regular de suas funções e não indicam animosidade ou interesse particular na causa.
Entenda a acusação contra o dirigente
Armando Mendonça responde por crimes como apropriação indébita e furto qualificado, acusado pelo MP-SP de se apropriar de cerca de 131 itens esportivos fornecidos pela Nike, além de coagir funcionários e responsáveis por relatórios.
As suspeitas surgiram após uma auditoria interna encomendada pelo presidente Osmar Stabile e conduzida pelo setor de tecnologia. O vice-presidente nega as irregularidades, alegando que as retiradas foram transferências administrativas legítimas para demandas institucionais, e classifica os relatórios internos como politicamente motivados.