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Justiça de São Paulo manda retirar tornozeleira da "Japa do PCC"

A Justiça de São Paulo revogou a obrigatoriedade do uso de tornozeleira eletrônica e liberou de quase todas as medidas cautelares a empresária Karen Tanaka Mori, apontada pelo Ministério Público como operadora financeira do Primeiro Comando da Capital (PCC). A decisão judicial atende a pedido da defesa após quase dois anos de apurações policiais sem a conclusão formal da investigação.

Conhecida como "Japa do PCC", Karen foi presa em 8 de fevereiro de 2024, acusada de administrar e lavar cerca de R$ 35 milhões oriundos do tráfico de drogas da facção criminosa. Após passar menos de 20 dias em regime fechado, ela obteve prisão domiciliar sob a justificativa de ser mãe de uma criança pequena. Em 29 de agosto de 2025, o benefício foi convertido em medidas restritivas com uso de monitoramento eletrônico.

Ao analisar o caso, a juíza Paula Regina Schempf Cattan entendeu que o excesso de prazo na fase de inquérito impedia a manutenção contínua das medidas mais duras. A magistrada manteve apenas a proibição de Karen se ausentar do Estado de São Paulo sem autorização prévia da Justiça.

Risco de fuga e polêmica do passaporte

A retirada da tornozeleira gerou divergência entre os órgãos de fiscalização. O Ministério Público manifestou-se contrariamente à concessão de liberdade irrestrita, enquanto agentes da Polícia Civil demonstraram temor em relação a uma eventual fuga da investigada do território nacional.

O processo também registra um episódio controverso durante o cumprimento das obrigações legais. Ao receber a ordem para entregar seus documentos de viagem na liberação do monitoramento, Karen apresentou à Justiça um passaporte com data de validade vencida desde o ano de 2008.

Uma consulta posterior realizada pela Polícia Federal revelou que a investigada era titular de outro documento emitido legalmente e válido até 2028. Diante da constatação, o órgão policial bloqueou o documento ativo e impôs restrição no sistema de controle de fronteiras para impedir o embarque em aeroportos internacionais.

A magistrada do caso considerou que houve má-fé na entrega do passaporte cancelado e advertiu formalmente a defesa de que novos atos semelhantes não serão aceitos, embora tenha mantido a decisão de retirar o dispositivo eletrônico de vigilância.

Histórico no crime organizado e empresas

Conforme apuração do repórter Rodrigo Hidalgo no Jornal da Band, a Polícia Civil mantém procedimentos abertos para detalhar todo o organograma de lavagem de capitais operado por Karen.

Em entrevista concedida à revista Piauí em junho de 2026, Karen Tanaka admitiu ter utilizado recursos de origem ilícita para estruturar e abrir unidades de uma rede de lojas no setor de beleza. O relato público levou os investigadores a abrirem novas frentes de apuração para identificar eventuais sócios e empresas de fachada ligadas ao esquema criminoso.

Karen Tanaka Mori era casada com Wagner Ferreira da Silva, conhecido na facção criminosa como Cabelo Duro. O criminoso exerceu função de liderança de destaque no PCC e comandou a execução de outros dois integrantes do alto escalão do grupo no Ceará, em 2018, durante uma disputa de poder interna. Pouco tempo depois dos homicídios no Nordeste, Silva acabou assassinado a tiros na porta de um hotel de luxo na zona leste de São Paulo.

Fonte: Band.
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