Uma jovem de 23 anos sobreviveu a uma tentativa de feminicídio após ser atingida por mais de 10 facadas desferidas pelo ex-namorado no Espírito Santo. Sara passou uma semana internada em estado gravíssimo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital local, recebeu alta e agora se recupera do trauma físico e emocional.
O crime ocorreu no último dia 10, no momento em que a vítima chegava à porta de casa acompanhada do ex-marido — pai de um dos filhos dela. Assim que o ataque começou, o homem fugiu do local sem prestar socorro. Sara foi esfaqueada no tórax, nas costas e no rosto. Moradores da região prestaram os primeiros socorros e a encaminharam ao hospital.
Agressor preso e histórico de violência
O autor das agressões foi identificado como Fábio Henrique Gans Santana, também de 23 anos. Ele fugiu após o ataque, mas foi localizado e preso em flagrante por tentativa de feminicídio.
Em relato emocionado, Sara contou que o comportamento agressivo do ex-namorado começou meses antes do atentado, marcado por episódios de ciúme excessivo e controle:
"Em abril, mais ou menos, foi a primeira agressão. Ele me arrastou pelos cabelos, fiquei até com marcas no pescoço. Quando a mãe dele descobriu, comentou que as outras namoradas que ele teve também foram agredidas", relatou a jovem.
Sinais de alerta e rede de apoio
Especialistas alertam que comportamentos controladores — como restrição a roupas, monitoramento de celular, gritos e agressões verbais — são sinais claros de um relacionamento abusivo que pode evoluir para violência física grave.
A orientação para mulheres que vivenciam situações de ameaça ou violência é procurar imediatamente uma delegacia especializada ou registrar um boletim de ocorrência online, além de solicitar medidas protetivas de urgência e buscar apoio psicológico para romper o ciclo de abusos.
Campanha Band Não Se Cala
O Grupo Bandeirantes lançou nesta semana a campanha "Band Não Se Cala" para reforçar a conscientização e o incentivo às denúncias de agressões, estupros e feminicídios em todo o Brasil. A mobilização pretende engajar a sociedade no acolhimento às vítimas e no enfrentamento da impunidade.
A cada 30 segundos, uma mulher aciona a Polícia Militar para pedir socorro no país. Além disso, as estatísticas indicam o registro de um estupro a cada 6 minutos e um feminicídio a cada 6 horas no Brasil. O quadro expõe uma rotina marcada pelo medo, pela solidão e pelo silêncio das vítimas.