O cantor Alexandre Pires voltou a ser alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal nesta semana, em Uberlândia (MG), em um novo desdobramento da investigação sobre garimpo ilegal na terra indígena Yanomami.
A corporação apura a prática de crimes como lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e comércio ilícito de minério. De acordo com as investigações, o grupo teria movimentado e ocultado cerca de US$ 50 milhões.
Além do artista, a operação mira seu empresário, Matheus Possebon, e o irmão dele, Diego Possebon. Diego é apontado pelas autoridades como o líder da organização, enquanto Matheus atuava como a ponte entre os lucros da mineração irregular e o mercado de entretenimento.
Segundo a Polícia Federal, Alexandre Pires e uma de suas produtoras musicais receberam R$ 31 milhões de empresas ligadas ao esquema. Os investigadores buscam esclarecer a origem desses repasses e verificar se a estrutura artística serviu para ocultar o patrimônio obtido ilegalmente.
O caso apura a extração e venda de cassiterita, minério estratégico utilizado na cadeia de produção de celulares e computadores. O mineral era retirado de Roraima e passava por empresas intermediárias para tentar obter aparência legal de circulação.
Envio de contêineres à Tailândia
O caso ganhou contornos internacionais após a apreensão de 100 toneladas de cassiterita em um galpão em Boa Vista (RR). Pressionados para honrar o fornecimento acertado com uma trading estrangeira, os envolvidos recorreram a uma fraude no despacho da mercadoria.
Contêineres marítimos foram preenchidos com areia e enviados para a Tailândia em substituição ao lote apreendido. Quando técnicos abriram os compartimentos no porto de destino, constataram que menos de 1% da carga correspondia de fato ao minério prometido.
A empresa compradora havia adiantado cerca de US$ 48 milhões pela encomenda. Diante do prejuízo, a firma optou por não denunciar o golpe às autoridades formais para não revelar que negociava material de garimpo ilegal.
A partir desse episódio, a PF intensificou o rastreamento de empresas no exterior, contas de terceiros e transferências bancárias internacionais usadas na lavagem dos recursos.
A Polícia Federal ressalta que Alexandre Pires não é suspeito de extrair o mineral nem de frequentar os locais de garimpo. O foco das apurações recai sobre a cadeia financeira e a eventual ocultação de capital ilícito.
O Ministério Público Federal também acompanha as consequências da atividade na região norte do país. Cálculos preliminares apontam que a degradação ambiental, os danos à saúde indígena e o montante extraído superam R$ 1 bilhão.
A apuração contra o grupo teve início em dezembro de 2023, na primeira fase da Operação Disco de Ouro. Na época, Matheus Possebon foi preso preventivamente, mas obteve habeas corpus dias depois, enquanto o cantor foi ouvido e liberado pelos agentes.
A assessoria jurídica de Alexandre Pires nega qualquer vínculo com a extração ou o comércio de minérios. Em nota, o advogado Luiz Flávio Borges Durso afirmou que o artista foi surpreendido pela operação e assegurou que sua conduta sempre respeitou a legislação vigente.
A equipe jurídica de Matheus Possebon também sustentou que o empresário nunca trabalhou com exportação de minerais. Segundo a nota, a carreira dele é voltada unicamente ao gerenciamento de carreiras artísticas e ao setor de eventos.