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Intoxicação por cloro: vítimas tinham histórico de problemas respiratórios

A investigação sobre a tragédia em uma academia no Parque São Lucas, zona leste de São Paulo, ganhou novos contornos nesta segunda-feira (9). De acordo com o delegado Rezende, que preside o inquérito, a morte da professora Juliana Faustino Basseto e o estado grave de outros dois alunos foram causados por uma trágica combinação de fatores: o uso de produtos químicos em ambiente fechado e a vulnerabilidade respiratória das vítimas.

Por que algumas vítimas foram mais afetadas?

Uma das descobertas centrais da investigação é que as três pessoas que apresentaram os quadros mais críticos — Juliana, que faleceu, seu marido Vinicius e um terceiro aluno identificado como Gabriel — possuíam histórico de problemas respiratórios, como asma e bronquite.

Segundo o repórter Lucas Martins, as vítimas praticavam natação justamente como forma de tratamento para essas condições. A exposição ao cloro em alta concentração, em um ambiente sem ventilação e com calor intenso, agiu de forma agressiva nos pulmões já fragilizados, resultando no óbito e nas internações graves. No total, seis pessoas estavam no recinto (o professor e cinco alunos), e todas apresentaram algum nível de mal-estar.

A falha na manutenção da piscina

A principal linha de investigação aponta para um erro de procedimento do encarregado da limpeza. Para adiantar o serviço, o funcionário teria realizado uma mistura de produtos químicos dentro de um balde e o deixado na borda da piscina enquanto os alunos ainda treinavam.

A reação química liberou gases tóxicos que ficaram retidos na área coberta. O delegado Rezende ressaltou que a atividade exige habilitação técnica específica, o que o profissional envolvido aparentemente não possuía. O advogado do encarregado optou por não apresentá-lo à polícia nesta data.

Responsabilidade dos proprietários

Embora o funcionário seja investigado por imperícia, o foco das autoridades também recai sobre os donos do estabelecimento. A academia operava de forma irregular desde 2023, sem o alvará da Vigilância Sanitária necessário para o funcionamento da piscina.

Para Joel Datena, a responsabilidade de checar a qualificação do prestador de serviço é do contratante. O delegado confirmou essa visão, afirmando que a polícia apura por que os proprietários não contrataram um profissional habilitado. No momento do acidente, nem o gerente nem os donos estavam no local.

Provas e perícia

A Polícia Civil já adotou as seguintes medidas para comprovar o crime:

Coleta de amostras: Foram recolhidas amostras da água da piscina e dos produtos químicos encontrados no balde e no depósito.

Exames laboratoriais: A perícia vai identificar quais substâncias foram misturadas e se a concentração era letal.

Laudos médicos: O exame necroscópico de Juliana e os prontuários de Vinicius e Gabriel serão cruzados com os dados químicos para confirmar a correlação direta entre o gás e as lesões.

A academia permanece interditada e os responsáveis podem responder criminalmente por homicídio culposo e lesão corporal culposa, além das infrações administrativas.

   

Fonte: Band.
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