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Instituto de Mendonça recebeu R$ 5,2 milhões de ex-parceiro de Vorcaro
© Alejandro Zambrana/STF

O Instituto Iter, que contou com atuação acadêmica do ministro André Mendonça, divulgou nota em que explica o recebimento de R$ 5,2 milhões da Cedro Participações, empresa do empresário Lucas Prado Kallas, apontado como parceiro de negócios de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e afirma que a operação ocorreu dentro da legislação e sem benefícios pessoais a sócios ou administradores.

Segundo o Instituto, em abril de 2024 as partes firmaram um contrato de mútuo conversível, instrumento previsto no Marco Legal das Startups (Lei Complementar nº 182/2021). A operação, de acordo com a nota, está integralmente registrada nos balanços, declarada aos órgãos competentes e com tributos recolhidos, sem uso de recursos, incentivos ou subvenções públicas.

A entidade esclarece que nenhum valor do aporte foi direcionado ao patrimônio pessoal de qualquer sócio ou administrador. Os R$ 5,2 milhões foram depositados diretamente na conta da pessoa jurídica do Iter e aplicados, por obrigação contratual e com acompanhamento contábil, exclusivamente na estruturação e nas atividades do instituto, com registro da destinação e sem uso para fins diferentes dos previstos.

Conforme a nota, os repasses ocorreram em parcelas e foram encerrados no fim de 2025, quando o Iter já se encontrava em situação de sustentabilidade financeira. Em seguida, as partes assinaram termo aditivo que previu o vencimento antecipado da dívida e o início imediato do pagamento à Cedro, com juros atrelados à taxa Selic; até agora, cerca de 5,3% do total foi quitado.

O Instituto afirma ainda que, desde sua criação, jamais distribuiu a seus acionistas valores a título de lucro, dividendos ou participação nos resultados. Na condição de sociedade anônima, diz manter escrituração contábil regular, nos termos da Lei das Sociedades por Ações, de modo que a aplicação integral dos recursos do mútuo na própria entidade seria verificável em seus registros contábeis e fiscais.

Mendonça e Kallas fora da negociação

De acordo com o Iter, as tratativas sobre o contrato foram conduzidas pela direção executiva do instituto, com assessoria jurídica externa, e, pela Cedro, por seu diretor jurídico e diretor de investimentos. A nota enfatiza que nem o empresário Lucas Prado Kallas nem o ministro André Mendonça participaram das negociações, não discutiram valores ou condições contratuais, não negociaram e não assinaram o instrumento.

O comunicado também ressalta que Mendonça não integra o quadro societário do Iter. Ele anunciou que deixou a sociedade no último dia 3. Conforme o texto, ele havia anunciado publicamente que qualquer resultado ligado à sua antiga quota seria destinado a obras sociais e educacionais e, enquanto fez parte do instituto, atuou apenas como docente, sem receber dividendos, distribuição de lucros ou participação nos resultados.

Sobre o contexto da contratação, o Instituto destaca que, à época da celebração do contrato, Kallas integrava o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável da Presidência da República e nada desabonava a Cedro ou seus sócios, nem recomendava óbice à contratação. Para a entidade, fatos supervenientes ao contrato não afetam a licitude nem a normalidade do mútuo, cuja validade deve ser aferida pelos próprios termos e pela legislação vigente à época. O Iter reforça que o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro nunca tiveram qualquer relação com o instituto.

Cedro e empresário respondem a questionamentos

Em nota própria, a Cedro Participações afirma que Daniel Vorcaro jamais teve qualquer relação societária ou vínculo empresarial com os negócios da holding ou de suas controladas. A empresa sustenta que a aquisição de participações em companhias de capital aberto, das quais também são acionistas diversos fundos e instituições financeiras como BNDES e BDMG, não configura sociedade comercial.

A Cedro informa que consolidou sua posição no quadro societário da Biomm em 2023 e ingressou na Latache Capital entre 2024 e 2025, mas deixou de integrar o quadro de sócias de ambas as companhias em abril de 2026, com o objetivo de concentrar seus investimentos no setor de mineração.

Já a assessoria de Lucas Kallas diz que as viagens do empresário integram sua agenda regular de prospecção internacional para a holding e que, ao longo do ano passado, ele esteve em mais de 17 países em compromissos comerciais e institucionais. Sobre a Operação Parcours, a nota afirma tratar-se de uma retomada de fatos já investigados e arquivados pela Justiça e informa que Kallas se desligou em definitivo, em 2017, do negócio que é objeto da investigação, no qual atuava estritamente como sócio-investidor, antes da fundação da Cedro.

Fonte: Band.
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