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Fernanda Montenegro completa 97 anos; relembre como ela começou na TV
Reprodução/Instagram

Um dos grandes pilares da teledramaturgia brasileira, Fernanda Montenegro completa 97 anos nesta sexta-feira, 16, com mais de sete décadas de contribuição à arte nacional, inúmeros prêmios e participação no Guiness Book. Apesar de ser uma das maiores veteranas das telas e dos palcos, a ponto de receber o título de "Dama" por fãs, colegas e críticos culturais, a atriz não iniciou sua carreira na televisão ou no teatro convencional. Pelo contrário, foi atrás de microfones, em palcos montados pelas grandes rádios, que Arlette Pinheiro Monteiro Torres se tornou Fernanda Montenegro.

Segundo o documentário homônimo da série "Tributo", do Globoplay, Arlette escolheu seu nome artístico aos 16 anos a partir de duas figuras marcantes: uma famosa figura da capital fluminense do século XIX, chamada Fernande, e um médico da família da atriz, o Dr. Montenegro.

Do rádio à primeira atriz de TV: relembre a carreira de Fernanda Montenegro

A trajetória de Fernanda, assim como a de outros grandes veteranos, começou nas radionovelas. Em 1944, quando tinha entre 15 e 16 anos, a atriz estreou na produção Sinhá Moça Chorou, de Ernani Fornari, na Rádio MEC.

Em 1951, ela migrou para os teatros, onde estrelou 3200 Metros de Altitude ao lado do ator Fernando Torres, que mais tarde viria a se tornar seu marido e pai de seus dois filhos, a atriz Fernanda Torres e o diretor Cláudio Torres.

Ainda em 1951, foi contratada pela TV Tupi, durante a chegada e a expansão da televisão no Brasil, tornando-se a primeira atriz contratada de TV. A estreia na TV Globo, no entanto, veio 14 anos depois, em 1965, com o teleteatro "4 no Teatro".

Primeira novela de Fernanda Montenegro foi folhetim de Manoel Carlos

Em 1981, ainda na emissora, Montenegro recebeu um convite pessoal do autor Manoel Carlos para participar de Baila Comigo, sua primeira novela. Sua personagem, Sílvia Toledo Fernandes, foi escrita especialmente para ela.

Em 1983, interpretou Charlô em Guerra dos Sexos, papel que lhe garantiu o troféu de Melhor Atriz da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).

Sua primeira vilã foi Bia Falcão, de Belíssima (2006), novela de Silvio de Abreu, em que contracenou com Cauã Reymond, intérprete do amante de sua personagem.

Outros destaques televisivos na Globo incluem as novelas Brilhante (1981), Cambalacho (1986), Sassaricando (1987), Rainha da Sucata (1990), Esperança (2002), Passione (2010) e Babilônia (2015), em que viveu Teresa e fez par romântico com Nathalia Timberg.

A atriz também atuou em outras emissoras, como na novela Cara A Cara, da Band, onde interpretou Ingrid Von Herbert, uma socialite que procura o filho desaparecido desde que foi levado da Itália ao Brasil pelo pai durante a Segunda Guerra Mundial.

Fernanda interpretou santa e vidente em produções brasileiras

Fernanda também participou de produções menores para a televisão, como O Auto da Compadecida (1999), exibida originalmente em quatro partes e transformada em longa-metragem no ano seguinte.

Outras obras de destaque são Riacho Doce (1990), Incidente em Antares (1994), Hoje é Dia de Maria (2005) e Doce de Mãe (2014). Este último venceu o prêmio de Melhor Comédia no Emmy Internacional, em 2015.

Além de dar vida a Nossa Senhora Aparecida, Fernanda também interpretou a cartomante e vidente Madame Carlota no premiado filme A Hora da Estrela (1985), que foi inspirado no clássico de Clarice Lispector. Os papéis mistícos não se contentaram apenas a estas duas figuras emblemáticas, pois a artista também interpretou a vidente Mercedes, em O Outro Lado do Paraíso, de Walcyr Carrasco (2017).

Fernanda Montenegro concorreu o Oscar de "Melhor Atriz" por "Central do Brasil"

Nas telas de cinema, consagrou-se como a professora Dora em Central do Brasil (1998), interpretação que lhe rendeu uma indicação histórica ao Oscar de Melhor Atriz em 1999, concorrendo contra Gwyneth Paltrow. Paltrow foi quem levou a estatueta naquele ano.

Ainda em 1999, recebeu do então presidente Fernando Henrique Cardoso a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito, honraria por sua devoção às artes cênicas.

Em 2019 e em 2021, respectivamente, Fernanda recebeu um Emmy e foi eleita imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL), ocupando a cadeira de número 17, deixada pelo diplomata e escritor Affonso Arinos de Mello Franco, sendo a primeira atriz no posto.

Fernanda Montenegro viveu Elenice Paiva e Vitória nos cinemas

Entre seus trabalhos mais recentes no cinema estão a intepretação de Eunice Paiva mais velha no longa Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, onde sua filha, Fernanda Torres, interpreta a personagem quando mais nova. Fernanda também participou dos longas Vitória e Velhos Bandidos.

Ainda Estou Aqui concorreu ao Oscar na edição de 2025, em três categorias: Melhor Atriz (Fernanda Torres), Melhor Filme e Melhor Filme Internacional, levando a estatueta de Melhor Filme Internacional.

Fonte: Band.
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