A investigação que envolve a prisão da influenciadora e advogada Deolane Bezerra ganhou novos contornos e, segundo especialistas, tende a se expandir para o núcleo familiar da investigada. Em entrevista ao programa Melhor da Tarde, a delegada Maria Corsato, explicou que a estrutura financeira das empresas ligadas a Deolane coloca familiares e sócios em uma situação delicada perante a Justiça.
Segundo a delegada, a natureza do crime de organização criminosa armada é "permanente", o que significa que as condutas sob suspeita não se encerram com o tempo e podem ter ramificações atuais, independente de quando se iniciaram. Corsato ressalta que, dada a complexidade das operações, torna-se tecnicamente difícil para os envolvidos alegarem ignorância.
Como são três advogadas na família, é difícil dizer que não se percebia uma movimentação financeira inadequada nas contas ou que não se entendia a origem de fortunas movimentadas por empresas das quais são sócias. É como um médico afirmar que não sabe o que é febre.
Expansão da investigação e o risco de novos bloqueios
A delegada explicou que a polícia trabalha com a figura da "perda alargada", o que permite que a Justiça busque patrimônios que eventualmente não estejam registrados diretamente no nome da investigada, mas que tenham origem em atividades ilícitas.
"Eles pegaram coisas que estavam no nome dela em um primeiro momento, mas agora iniciou uma 'metástase'. Vão buscar bens registrados em nome de terceiros, como filhos e irmãs, se ficar comprovado que são fruto de lavagem de dinheiro", detalhou.
Maletas de dinheiro e a transparência das rifas
Durante a conversa, Maria Corsato também abordou um vídeo antigo compartilhado pela influenciadora, no qual aparecia ao lado de maletas de dinheiro em espécie. Segundo a delegada, esse tipo de exibição, na época relacionada a uma rifa de um veículo de luxo, exige explicações detalhadas por parte da defesa.
"Ela terá que explicar de onde veio aquele dinheiro e para onde foi. É preciso identificar quem ganhou a rifa. Se o carro continuou no nome dela, subentende-se que o vencedor optou pelo prêmio em espécie. Nesse caso, a investigação deve rastrear o destino desse valor", afirmou a delegada, destacando que, em transações regulares de valores altos, a norma seria o uso de transferências bancárias, como TED ou PIX, e não o transporte em espécie.
Deolane ficou em silêncio em nova audiência
A influenciadora e advogada Deolane Bezerra, presa preventivamente há uma semana na Penitenciária de Tupi Paulista (SP), usou seu direito constitucional de permanecer em silêncio durante depoimento prestado à Polícia Civil na quarta-feira (27). A decisão, que surpreendeu agentes pela estratégia adotada pela defesa, ocorre em meio a graves acusações de envolvimento com organização criminosa, lavagem de dinheiro e associação ao tráfico.
Segundo a delegada Maria Corsato, em entrevista ao Leo Dias no Melhor da Tarde, o silêncio é uma garantia legal básica de qualquer investigado para evitar a produção de provas contra si mesmo. "O advogado que está entrando no caso ainda não conhece a investigação por inteiro. Se ela fala qualquer coisa e depois não encaixa na tese de defesa que eles precisam montar, tudo pode ruir como um castelo de areia", avalia.
Estratégia por trás da carta aberta
Embora tenha mantido silêncio perante as autoridades, Deolane Bezerra divulgou uma carta aberta, escrita de próprio punho, que circulou nas redes sociais. Para a delegada Maria Corsato, essa dualidade de comportamento — calar-se no inquérito e falar ao público — não beneficia a situação jurídica da investigada.
Ela está desafiando o poder público e tentando colocar seus seguidores contra a administração da justiça. O que ela fala na internet ou em cartas não faz parte do processo, que precisa ser crivado pela atuação do delegado, do Ministério Público e do Poder Judiciário.