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Facções do Rio usam fazendas de criptomoedas para lavar dinheiro do tráfico
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A tecnologia que veio para modernizar o mercado financeiro virou uma ferramenta poderosa nas mãos do crime organizado. Operações recentes da Polícia Civil do Rio de Janeiro revelaram como facções criminosas estão usando estruturas clandestinas de mineração de criptomoedas dentro de comunidades da capital fluminense para lavar dinheiro do tráfico de drogas.

Nos fundos de uma casa na Vila do João, no Complexo da Maré, área dominada pelo Terceiro Comando Puro, os policiais descobriram uma central de processamento equipada com computadores de alto desempenho, sistemas de ventilação e refrigeração e estrutura preparada para funcionar 24 horas por dia.

Segundo as investigações, o esquema era usado para validar operações feitas com bitcoins e ocultar o rastro do dinheiro sujo. No mês anterior, uma fazenda de mineração já havia sido encontrada dentro de um mercado no Complexo do Lins, região controlada pelo Comando Vermelho.

O subsecretário de Inteligência da Polícia Civil, Carlos Alberto de Oliveira, afirma que a adoção de novas tecnologias pelo crime organizado não surpreende.

"Essas quadrilhas estão sempre buscando novas formas de lucro. Tudo que é novidade e dê dinheiro, não importa, eles vão praticar ou abrir espaço para que pessoas especializadas pratiquem o crime", disse.

As criptomoedas são ativos legais amplamente utilizados no mundo. Diferente das cédulas físicas, controladas por bancos centrais, as moedas digitais têm seu poder distribuído por computadores de grande capacidade plugados a um sistema — são essas máquinas que validam as transações, num processo chamado mineração.

A polícia ressalta que o problema não é a tecnologia em si, mas o uso criminoso dela para esconder o rastro do dinheiro ilegal.

O especialista em investimentos e criptomoedas Hulisses Dias explica que o rastreamento depende do tipo de moeda negociada e que o mercado é altamente pulverizado.

"O criminoso ou a pessoa de bem pode fazer uma transferência online de um saldo da conta do indivíduo A para o indivíduo B. E isso pode ser rastreável ou não, dependendo do tipo de criptomoeda que está sendo negociada", afirmou.

A localização das fazendas dentro das comunidades não é casual. Além da proteção oferecida pelo domínio territorial das facções, os "gatos" de energia elétrica ajudam a camuflar o alto consumo das máquinas de mineração, tornando a fiscalização muito mais difícil.

Em qualquer outro lugar, o gasto elevado chamaria a atenção das concessionárias. O secretário de Segurança Pública do Rio, Victor Santos resume: "Eles escolhem a comunidade como forma de proteção e como forma de perpetuar essa atividade."

Fonte: Band.
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