A agência reguladora dos Estados Unidos, FDA, aprovou nesta quarta-feira (26) o daraxonrasib, comercializado como Rasonque, para pacientes adultos com câncer de pâncreas metastático que já passaram por pelo menos um tratamento sistêmico. O medicamento é administrado em comprimido e é indicado para tumores com uma mutação específica no gene KRAS, chamada G12D.
A decisão foi baseada em um estudo com 500 pacientes. Segundo o FDA, a sobrevida mediana foi de 13,2 meses entre os pacientes que receberam daraxonrasib, contra 6,7 meses no grupo tratado com quimioterapia. A sobrevida sem progressão da doença também foi maior: 7,2 meses, ante 3,6 meses.
Entre os efeitos colaterais estão diarreia, náusea, cansaço, vômitos, dor abdominal e alterações na pele.
Avanço no tratamento
Em entrevista à BandNews TV, o oncologista Fernando Maluf explicou que o novo comprimido é diferente do tratamento discutido no estudo NAPOLI-3. Nesse caso, trata-se de uma combinação administrada pela veia e formada por quatro medicamentos, incluindo o irinotecano lipossomal.
Segundo o especialista, os resultados mostraram uma maior chance de controle da doença e de prolongamento da vida dos pacientes. "Isso resultou em uma maior chance de controle da doença e uma vida mais longa para os pacientes com câncer de pâncreas metastático", explicou o médico.
O tratamento pode causar queda de glóbulos brancos, diarreia e cansaço, mas apresentou boa tolerabilidade em comparação com o tratamento anterior. "Ele pode causar queda de glóbulos brancos, pode causar diarreia e pode causar cansaço. Mas, comparado ao tratamento padrão, ele foi muito bem tolerado", disse.
Quando chega ao Brasil?
A aprovação do daraxonrasib nos Estados Unidos não autoriza automaticamente o uso do medicamento no Brasil. A eventual liberação depende de análise da Anvisa.
Maluf afirmou que o irinotecano lipossomal, usado no tratamento estudado no NAPOLI-3, já é aprovado no país para uma etapa posterior do tratamento. "O que a gente espera é que a Anvisa também aprove essa combinação para o primeiro tratamento", afirmou.
Para Maluf, os avanços são relevantes diante da dificuldade de tratar o câncer de pâncreas. "A gente caminha a passos lentos, mas agora com uma vitória importante", disse o oncologista.