O programa Melhor da Tarde convidou o advogado criminalista Luiz Henrique para escarecer dúvidas sobre a carta de Deolane Bezerra divulgada pela irmã, Dayanne Bezerra, nas redes sociais. O profissional explicou o que a lei prevê quanto ao envio de cartas por detentos que cumprem regime fechado.
Segundo Luiz, a comunicação escrita é um direito garantido aos detentos, mesmo aqueles que se encontram em penitenciárias de segurança máxima. O advogado destaca que a possibilidade de escrever de próprio punho é uma prática assegurada pela legislação brasileira, respeitando as normas de segurança e vigilância de cada estabelecimento.
"É perfeitamente possível que uma pessoa, mesmo em uma penitenciária de segurança máxima, escreva uma carta de próprio punho", esclarece o especialista. O advogado pontua, porém, que toda e qualquer correspondência enviada ou recebida por internos em regime fechado passa por um processo de triagem.
Como funciona o envio de cartas na prisão?
O especialista detalha que os estabelecimentos prisionais monitoram as comunicações para garantir a ordem e a segurança. "A carta, antes de sair da unidade e ser entregue à família ou ao destinatário, passa por uma fiscalização da direção do presídio", afirma. O monitoramento é uma medida padrão e legalmente aceita para impedir que informações privilegiadas ou ordens externas sejam repassadas de forma indevida.
No caso específico de Deolane Bezerra, que teve trechos de uma carta ditada à irmã repercutidos pela imprensa, o especialista reforça que a ação seguiu os trâmites institucionais.
Deolane rebate acusações em carta e diz estar presa por "pura perseguição"
Pela primeira vez desde que foi detida em Tupi Paulista, a influenciadora e advogada Deolane Bezerra se pronunciou sobre as investigações que levaram à sua prisão. Em uma carta ditada por ela e transcrita pela irmã, a advogada contesta as acusações de participação em crimes organizados e refuta a narrativa de que teria um esquema complexo de lavagem de dinheiro, alegando ser alvo de "pura perseguição".
O que diz Deolane Bezerra?
No texto, Deolane Bezerra declara ser uma "formadora de opinião" e sustenta que sua prisão é motivada por preconceito e exposição midiática. A influenciadora justifica a movimentação financeira que levantou suspeitas das autoridades, afirmando que o valor de R$ 24.500,00 registrado em sua conta refere-se a honorários advocatícios recebidos em espécie na época em que atuava ativamente no Direito criminal, e não a valores provenientes de esquemas de lavagem de dinheiro.
A advogada também nega categoricamente a acusação de ser proprietária de 37 empresas, classificando a informação como uma "mentira que se tornou verdade de tantas vezes que foi repetida". Segundo ela, uma consulta simples à Junta Comercial poderia comprovar que tal dado não condiz com a realidade.
Contexto das investigações
Além de negar os crimes financeiros, Deolane Bezerra refutou qualquer ligação com a penitenciária de Presidente Venceslau, local onde teriam sido encontrados bilhetes atribuídos a integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). A influenciadora reforçou sua trajetória como profissional do Direito e empresária:
Não sou e nunca fui bandida. Sou mãe, sou empresária, sou advogada. Uma nordestina que venceu na vida pelo próprio suor.
A prisão da influenciadora faz parte de um inquérito mais amplo, iniciado em 2019, que investiga crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa. Enquanto a defesa busca reverter a situação, a carta termina com um pedido de apoio aos fãs: "Conto com as orações e o apoio de quem sempre esteve comigo. Mais uma vez, vocês não irão se arrepender. Um beijo a todos! Fé, já estou por aí esperando a próxima injustiça a ser combatida".