O delegado Arthur José Dian afirma que a advogada Deolane Bezerra foi monitorada durante sua recente viagem à Itália e que a prisão poderia ter ocorrido em solo europeu caso a operação fosse deflagrada naquele período. Em entrevista ao programa Melhor da Tarde, a autoridade policial detalha que a influenciadora digital é alvo de uma investigação robusta que já dura sete anos.
A apuração técnica identificou uma complexa rede financeira ligando as contas de Deolane Bezerra a empresas que possuem vínculos com lideranças de uma facção criminosa. Arthur José Dian ressalta que a ação contou com cooperação internacional para acompanhar os passos da advogada enquanto ela estava fora do país.
Segundo o delegado, a influenciadora viajava acompanhada de Paloma, sobrinha de Marcola, apontado como o líder da organização criminosa. No fim, Deolane Bezerra acabou voltando ao Brasil antes,e policia acabou cumprindo o mandado de prisão preventiva em Alphaville.
O que motivou a prisão de Deolane Bezerra?
A polícia penal coletou uma carta manuscrita que havia sido picotada e jogada no vaso sanitário por detentos da penitenciária de Presidente Venceslau durante uma revista. O material foi recuperado graças a redes de proteção instaladas no esgoto, sendo posteriormente seco e reconstituído. O conteúdo revelou planos e nomes de líderes da organização criminosa, guiando os investigadores até uma transportadora chamada "Lado a Lado", situada vizinha ao presídio.
A partir da análise financeira desta empresa e de um casal de proprietários, os policiais chegaram ao nome de Deolane Bezerra. A investigação aponta que contas ligadas à advogada recebiam e passavam valores de empresas oriundas dessa transportadora e de outras criadas no processo.
Deolane Bezerra permanece detida na Penitenciária de Tupi Paulista, unidade escolhida por critérios técnicos da comarca de Presidente Prudente e do Gaeco. Arthur José Dian afirma que, embora a influenciadora mantenha a tese de inocência e alegue que as movimentações são fruto de seu trabalho, a polícia foca nas provas robustas dos autos.
O delegado revela que Deolane Bezerra demonstrou fragilidade emocional ao longo do processo. A influenciadora chorou ao relembrar sua prisão anterior.
Atualmente, três inquéritos policiais compõem o caso, sendo que o mais recente já foi relatado e enviado ao Ministério Público. Arthur José Dian destaca que a análise do material apreendido nas buscas recentes pode gerar novos desdobramentos e fases na investigação.
Para o delegado, o relacionamento social de Deolane Bezerra com familiares de criminosos não é o foco principal, mas sim os vínculos financeiros comprovados. Ele reforça que a inteligência policial atua sobre fatos técnicos e não sobre presunções de amizade.
Operação Vérnix
Foram decretadas seis prisões preventivas, bloqueios de valores superiores a R$ 327 milhões, sequestro de 17 veículos, incluindo modelos de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões, além de 4 imóveis vinculados aos investigados. As medidas buscam interromper o fluxo financeiro ilícito, preservar ativos de possível origem criminosa e atingir a estrutura econômica que sustenta a atuação da facção.
Diante de informações de que três investigados estariam fora do país, respectivamente na Itália, na Espanha e na Bolívia, a Polícia Civil representou pela inclusão deles na Lista Vermelha da Interpol, por meio de difusão vermelha, a fim de viabilizar a localização internacional e a adoção das providências legais cabíveis, com direta atuação do Ministério Publico Estadual e também da Polícia Federal.