Novos detalhes sobre o passado do tenente-coronel Geraldo Neto, envolvido no caso da morte da soldado Gisele, vieram à tona com a revelação de boletins de ocorrência que sugerem um histórico de abusos. Em participação no Brasil Urgente, o advogado da família da policial, José Miguel da Silva Junior, trouxe documentos que mostram que o oficial já era alvo de denúncias graves muito antes do episódio atual, criticando a permanência do militar em suas funções.
O advogado apresentou registros de 2010 e 2011 de uma ex-mulher do oficial, que já relatava um comportamento controlador e violento. Segundo o defensor, em um dos documentos a vítima afirma que "vem sofrendo vários problemas de perturbação de sua tranquilidade" e que o militar "mantém vigilância sobre a vítima impedindo que ela se relacione com outras pessoas, ameaçando inclusive de morte". O advogado ressaltou o teor das intimidações, citando que "o autor proferiu ameaças de que ela não poderia sair com homens".
Outro ponto considerado alarmante pela defesa é um registro mais recente, de janeiro de 2022, quando o oficial ainda era Major. O advogado questionou a conduta da Polícia Militar diante de um chamado de emergência feito por outra companheira do militar. "A Polícia Militar do Estado de São Paulo deve explicações a toda a sociedade porque em 22/01/2022 foi lavrado um BOPM onde a outra vítima se queixa de ameaça", afirmou. Segundo ele, a mulher relatou na época: "Está entrando dentro do meu apartamento... estou sendo ameaçada dentro do apartamento".
A crítica central da defesa recai sobre a recorrência dos fatos e a falta de medidas administrativas severas ao longo dos anos. "Ele já cometia esses abusos há tempos", disparou o advogado, mencionando que a quantidade de registros deve ser levada em conta pelas autoridades. "Não é um caso que você olha e fala: 'ali teve um problema'. Aqui é um caso em que a quantidade chama a nossa atenção. Pode estar ligado a um costume, a uma forma de agir", concluiu o defensor, que agora cobra esclarecimentos da Secretaria de Segurança Pública e do Tribunal de Justiça sobre a eficácia de possíveis medidas protetivas anteriores.