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Como educar meninos para combater a violência contra a mulher

A recente sucessão de crimes brutais e covardes, cometidos por homens cada vez mais jovens — muitos deles menores de idade —, impõe uma mudança urgente de perspectiva na sociedade brasileira. Se durante décadas o foco da discussão esteve concentrado em ensinar as meninas a se protegerem, o cenário atual, marcado por episódios como o estupro coletivo de uma estudante de 17 anos no Rio de Janeiro, inverte a pergunta fundamental: como educar o menino para que ele não se torne um agressor?

Em São Paulo, o Colégio São Domingos suspendeu cinco alunos, de apenas 14 e 15 anos, por compartilharem mensagens misóginas em um grupo de WhatsApp. A gravidade da conduta incluiu a criação de uma lista que classificava colegas como "estupráveis" e o envio de figurinhas de Jeffrey Epstein, condenado por tráfico sexual de menores. Em resposta, a escola criou um grupo de trabalho para lidar com o comportamento desses jovens.

A construção da masculinidade e a cultura do "não"

A raiz desse comportamento muitas vezes é plantada ainda na infância. Especialistas apontam que o incentivo para que meninos demonstrem força constante e escondam qualquer sinal de fragilidade cria uma combinação perigosa. Esse silenciamento emocional, somado à validação da agressividade, alimenta a cultura de violência contra a mulher.

Para combater esses estereótipos, algumas instituições de ensino já adotam aulas de educação socioemocional. No Rio de Janeiro, uma escola promoveu uma exposição impactante, retratando a realidade da violência doméstica com corpos femininos cenográficos e marcas de sangue. Para a estudante Maria Clara Almeida, de 17 anos, a mensagem é clara: a roupa da mulher jamais é um convite, e a vítima nunca é culpada. O estudante João Pedro Campista Bastos reforça que o processo exige que os próprios meninos olhem para si e revejam seus princípios e atitudes.

O perigo dos perfis tóxicos e o papel da família

A educação doméstica ganha ainda mais relevância diante do avanço de comportamentos tóxicos na internet. Os chamados perfis "Red Pill" têm ganhado força ao pregar que a mulher é uma ameaça que precisa ser controlada ou descartada. Essa retórica encontra terreno fértil em jovens que não aprenderam a lidar com limites.

Segundo a professora de sociologia Lara Rocha, é preciso formar os jovens para que identifiquem e combatam esses estereótipos. A psicopedagoga Beatriz Macedo ressalta que o aprendizado deve começar dentro de casa, ensinando que ser vulnerável não é sinal de inferioridade. 

Para ela, o desenvolvimento da inteligência emocional é a chave para que os meninos saibam lidar com a frustração e respeitem, acima de tudo, o "não" das mulheres. A participação da família, como destaca a aposentada Rosilete Bastos, é o pilar para estabelecer desde cedo o que é certo e o que é errado na relação de respeito ao próximo.

Fonte: Band.
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