Associações que representam as casas de apostas e os clubes de futebol brasileiros mobilizaram-se em conjunto contra as medidas de restrição ao setor prometidas pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em manifestos divulgados nesta quinta-feira (24), as entidades cobram o respeito aos contratos vigentes e alertam que proibições ao setor podem "empurrar" os apostadores para o mercado ilegal. O texto da Medida Provisória do governo federal está sendo finalizado e a expectativa é de que o anúncio oficial ocorra nesta sexta-feira (25).
Entre as propostas avaliadas pelo governo estão a proibição total das plataformas de apostas ou a manutenção das apostas esportivas aliada ao bloqueio exclusivo dos cassinos online, como o "jogo do tigrinho".
Diante desse cenário, os principais clubes do país uniram-se em torno do mesmo discurso e publicaram um manifesto alegando que mudanças na regulamentação podem significar o "fim do futebol brasileiro".
O temor dos clubes se justifica pelo peso financeiro do setor: os cassinos online correspondem a 73% do faturamento das plataformas legalizadas. Qualquer alteração nessa estrutura pode reduzir a capacidade de investimento dos times e provocar um desequilíbrio financeiro dentro e fora do país.
Atualmente, as bets figuram como as principais patrocinadoras do futebol nacional, tendo investido mais de R$ 1 bilhão apenas nos clubes da Série A no último ano. Segundo balanço do Ministério da Fazenda, 85 empresas estão autorizadas a operar no Brasil, respaldadas pela regulamentação aprovada em janeiro do ano passado.
Especialistas e representantes do setor advertem que uma mudança abrupta --mesmo se restrita aos cassinos online-- provocará uma enxurrada de ações na Justiça e perdas de arrecadação. Além de gerar demissões em massa e desproteger o apostador, alertam que retroceder a regulação provocará um crescimento vertiginoso do mercado clandestino.
As associações pedem ao Congresso e ao governo calma, diálogo e responsabilidade institucional, ressaltando que a pauta exige evidências e não disputa eleitoral, e reiteram que o setor apostou em um país que respeita contratos.