A Defesa Civil do Rio Grande do Sul e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) confirmaram a formação de um ciclone extratropical associado a uma frente fria nesta segunda-feira (6). O fenômeno deve causar impactos severos no estado até quarta-feira (8), com riscos de temporais, queda de granizo e ventos fortes.
Segundo os órgãos de monitoramento, a mudança no tempo marca a consolidação do padrão de outono na região. Em Porto Alegre, a temperatura máxima deve cair de 28°C, registrada nesta segunda, para 23°C na quarta-feira. O sistema começou a se organizar entre o Paraguai e a Argentina e ganha força no litoral gaúcho e uruguaio a partir de terça-feira (7).
Riscos de ventos fortes e temporais
A previsão indica que as rajadas de vento variam entre 60 km/h e 80 km/h na faixa litorânea. No entanto, o alerta é maior para Porto Alegre e cidades da Zona Sul, como Pelotas, Rio Grande e Santa Vitória do Palmar, onde os ventos podem atingir 90 km/h em áreas continentais.
Um ciclone extratropical é um sistema de baixa pressão atmosférica que se forma fora dos trópicos e está frequentemente associado a frentes frias. Ele provoca ventos circulares intensos e instabilidade, o que, neste caso, elevará o volume de chuvas para níveis críticos em curto período.
O Oeste do Rio Grande do Sul deve registrar os maiores acumulados. O modelo numérico do Inmet prevê mais de 100 mm de chuva em apenas 24 horas entre os dias 6 e 7 de abril. Ao longo de uma semana, o volume total pode ultrapassar os 200 mm na região, o que exige atenção redobrada dos produtores rurais.
Impacto no agronegócio e cenário nacional
Para o setor agropecuário, a chegada do ciclone e da frente fria exige cautela com as estruturas de armazenamento e com o gado. As chuvas intensas podem dificultar o manejo no campo, embora o sistema comece a se afastar para o alto-mar na sexta-feira (10), permitindo uma estabilização temporária da atmosfera a partir do dia 11.
No restante do país, a semana apresenta cenários distintos. Na Região Norte, Amazonas e Pará devem superar os 100 mm de chuva. No Nordeste, o centro-norte da região concentra as instabilidades, com volumes de até 150 mm em pontos isolados do Maranhão e Ceará.
Já no Sudeste, uma frente fria deve avançar entre os dias 8 e 10 de abril. O sistema levará chuvas persistentes para o Rio de Janeiro, sul de Minas Gerais e Espírito Santo, com acumulados que podem superar os 100 mm no Vale do Paraíba e na Zona da Mata mineira. Enquanto isso, o Centro-Oeste terá chuvas concentradas ao norte do Mato Grosso, mantendo o tempo seco na porção sul da região.