Evidências apresentadas no maior congresso de oncologia do mundo indicam que os medicamentos conhecidos como "canetas emagrecedoras" --originalmente utilizados para tratar diabetes e obesidade-- podem oferecer uma proteção significativa contra diversos tipos de tumores. De acordo com as pesquisas, a utilização destes fármacos está associada a uma redução do risco em, pelo menos, 15 tipos de câncer.
Os dados são baseados em estudos de larga escala que reforçam o papel preventivo destas medicações. Uma investigação realizada com mais de 160 mil pessoas revelou uma redução de 41% no risco de câncer entre os utilizadores destes medicamentos.
Outro estudo focado na saúde feminina, que acompanhou 110 mil mulheres, apontou uma queda de 37% especificamente no risco de câncer da mama. Além deste, foram observadas reduções importantes em tumores do trato digestivo, do intestino e em órgãos do sistema reprodutor feminino, como o útero e os ovários.
O emagrecimento e a inflamação
O benefício protetor está fortemente ligado à perda de peso proporcionada pelas medicações. A obesidade é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de neoplasias, e ao otimizarem o metabolismo e facilitarem a mudança de estilo de vida para uma alimentação mais adequada, estes fármacos combatem a doença na sua raiz.
Contudo, a ciência investiga se o efeito vai além do emagrecimento. Os investigadores procuram entender se os medicamentos possuem uma ação direta na redução da inflamação e no controlo do crescimento das células tumorais.
Perspetiva futura e cautela médica
A comunidade científica começa agora a testar se estas substâncias podem beneficiar pacientes que já se encontram em tratamento oncológico. Resultados preliminares em mulheres com câncer de mama indicam que o uso da medicação, aliado ao tratamento convencional, pode resultar num melhor prognóstico, embora estes dados ainda sejam considerados iniciais.
Apesar dos resultados promissores, o oncologista Fernando Maluf sublinha que as "canetas emagrecedoras" não devem ser utilizadas de forma indiscriminada. O especialista adverte que o uso deve ser restrito a pacientes com indicação clínica específica e sempre sob rigorosa supervisão médica.