O câncer de pulmão foi o tipo de neoplasia que mais causou mortes em Ribeirão Preto entre 2016 e 2025. No período, a doença foi responsável por 1.248 óbitos no município, o equivalente a 12,5% de todas as mortes por câncer registradas na cidade. O cenário reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce, temas evidenciados durante o Agosto Branco, campanha dedicada à conscientização sobre a doença.
A realidade do município acompanha um desafio nacional. Segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar mais de 35 mil novos casos de câncer de pulmão por ano entre 2026 e 2028, mantendo o tumor entre os mais incidentes do país.
Embora seja fortemente associado ao tabagismo, o câncer de pulmão também pode atingir pessoas que nunca fumaram. Além disso, os primeiros sinais costumam ser confundidos com problemas respiratórios comuns ou atribuídos ao tempo seco, o que pode retardar a procura por atendimento médico. Tosse persistente, falta de ar, dor no peito, rouquidão, perda de peso sem causa aparente e presença de sangue no escarro estão entre os sintomas que merecem investigação, especialmente quando persistem por semanas.
"O câncer de pulmão pode evoluir de forma silenciosa nas fases iniciais, fazendo com que muitos pacientes procurem atendimento apenas quando a doença já está em estágio mais avançado. Quanto mais cedo ocorre o diagnóstico, maiores são as chances de sucesso do tratamento. Hoje, contamos com diferentes abordagens terapêuticas, definidas de forma individualizada de acordo com as características de cada paciente e do tumor, o que amplia as possibilidades de controle da doença e de qualidade de vida", explica o oncologista Diocésio Andrade.
O especialista destaca que, embora fatores como predisposição genética, exposição à poluição e a agentes químicos também possam contribuir para o desenvolvimento da doença, o tabagismo continua sendo o principal fator de risco. Segundo ele, os avanços da oncologia ampliaram significativamente as possibilidades de tratamento nos últimos anos, sobretudo quando o tumor é identificado precocemente.
“Hoje contamos com terapias cada vez mais eficazes e personalizadas, que aumentam as chances de controle da doença e preservam a qualidade de vida dos pacientes. Mas a melhor estratégia continua sendo a prevenção. Parar de fumar traz benefícios em qualquer fase da vida e, com o passar dos anos, reduz progressivamente o risco de desenvolver o tumor. Também é importante evitar a exposição à fumaça do cigarro e, quando houver contato com agentes químicos no ambiente de trabalho, utilizar corretamente os equipamentos de proteção. Da mesma forma, sintomas persistentes não devem ser ignorados e precisam ser avaliados por um médico”, conclui Andrade.