A cerca de 50 quilômetros do Distrito Federal, a região de Brazlândia se consolida como um polo estratégico para a horticultura. No coração dessa produção está a história de produtores como Neide Xavier, que há quase 30 anos dedica sua rotina ao cultivo de tomates. Com uma produção média de 20 mil quilos por safra, ela representa a força da agricultura familiar que abastece a capital federal.
O compromisso com a qualidade exige disciplina rigorosa. Duas vezes por semana, às terças e sextas-feiras, a rotina de Dona Neide começa às 3h da manhã para garantir que o produto chegue fresco à Ceasa-DF. O ciclo do tomate, que varia entre 60 e 90 dias, é uma corrida contra o tempo e uma dependência direta das condições meteorológicas.
Calor e chuva
Apesar da experiência, o setor permanece vulnerável. O tomate é uma cultura de alta sensibilidade, e as recentes tempestades e quedas de granizo na região evidenciam o risco do negócio. Neide perdeu recentemente cerca de 4 mil tomateiros devido a uma tempestade. O prejuízo estimado é de R$ 80 mil em receitas que deixaram de entrar para a produtora.
O reflexo do campo chega rapidamente às gôndolas dos supermercados. A escassez provocada pelas perdas climáticas elevou o valor da caixa de tomate para o patamar de R$ 80. De acordo com a Conab, o fruto ficou mais caro em 10 das 11 centrais de abastecimento monitoradas no país, com alta média de 19% na transição de dezembro para janeiro.
O IBGE reforça o cenário: na prévia da inflação oficial, o tomate registrou alta superior a 16% na média nacional.
Para mitigar os danos, o setor busca alternativas tecnológicas, como o cultivo protegido, com a instalação de "túneis" (coberturas plásticas) surge como solução para barrar o granizo e o excesso de chuva e o manejo Térmico, um tratamento que atua quando o calor excessivo acelera a maturação, gerando picos de oferta que derrubam o preço momentaneamente, mas comprometem a durabilidade do fruto.
O grande gargalo para produtores como Neide continua sendo o alto investimento necessário para proteger as lavouras. Garantir a estabilidade da produção diante da crise climática é, hoje, o maior desafio do cinturão verde do Distrito Federal.