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Bandidos criam médicos com IA para vender curas milagrosas na internet

Uma nova e perigosa indústria criminosa está crescendo nas redes sociais, utilizando a inteligência artificial (IA) para criar perfis de médicos falsos que promovem "receitas milagrosas" com o objetivo de lucrar ilicitamente. Com vídeos de conteúdos apelativos e promessas de segredos de saúde raramente partilhados em consultas convencionais, os criminosos conseguem atrair milhares de seguidores e visualizações.

A estratégia baseia-se na criação de avatares digitais, como o caso do fictício "Dr. André Tavares", que disseminam informações sem qualquer base científica. Em um dos casos registrados, o falso médico afirma que o consumo de nozes pode fazer com que doentes com Alzheimer recuperem a memória em apenas dez dias, justificando a eficácia pelo facto de o fruto ter um formato semelhante ao de um cérebro.

Esta rede criminosa não se limita a criar o conteúdo; existem tutoriais que ensinam livremente a cometer estas fraudes, prometendo rendimentos mensais que variam entre R$ 1.000 e R$ 10 mil. O lucro vem da monetização das visualizações, mas também da venda de suplementos sem procedência e livros digitais escritos por estes profissionais inexistentes.

Riscos graves para a saúde

Especialistas alertam que o perigo para a população é extremo. Ao acreditar nestas falsas promessas, muitos pacientes abandonam tratamentos médicos com evidência científica para adotar métodos ineficazes. Esta troca pode resultar na perda de tempo precioso de tratamento, especialmente em doenças onde o tempo é um fator crítico para a sobrevivência ou recuperação do paciente.

A Polícia Civil de São Paulo já investiga estes casos, que podem ser enquadrados em crimes como estelionato, falsa identidade e uso de documento falso. As autoridades notam que as contas utilizadas para estas fraudes estão frequentemente vinculadas a logins e senhas em países estrangeiros, o que dificulta o rastreamento.

O que dizem as plataformas:

  • YouTube: Afirmou possuir diretrizes rigorosas contra spam, práticas enganosas e desinformação médica, incluindo conteúdos gerados por IA;
  • Meta e TikTok: Questionadas sobre o tema, não enviaram resposta até ao fecho da reportagem.

A recomendação das autoridades é que a população denuncie qualquer conteúdo suspeito e verifique sempre a veracidade das informações médicas junto de fontes oficiais e profissionais registados.

Fonte: Band.
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